A indicação cada vez maior de aparelhos para tratamento ortodôntico por profissionais do setor não é modismo ou exagero. É o que garantem especialistas que estão participando de cursos de aperfeiçoamento, realizados pela Regional de Cascavel da Associação Brasileira de Odontologia (ABO). Cerca de 70 profissionais da região, do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso do Sul estão frequentando sete cursos de pós-graduação.
Na área de ortodontia, o curso será concluído em agosto, e outros prosseguirão até dezembro em periodontia, dentística, endodontia, prótese, oclusão e esterilização. A ortodontia tem como instrutores os professores Adilson Thomazinho, Maria Sasso Stuani e Miriam Nakame Matsumoto, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (SP). Segundo eles, 80% da população necessitam de tratamento ortodôntico, quer na fase preventiva, interceptiva ou corretiva.
Sem os cuidados básicos preventivos para a formação da dentição, resta a tentativa de inibir fatores que já estejam influindo e a correção é feita com o uso dos aparelhos, vistos cada vez mais na boca de jovens ou adultos. O presidente da Regional da ABO, José Inglês da Silva, assegura que isso não é resultado de modismo, nem tem objetivo de corrigir basicamente problemas estéticos. Segundo Inglês, novas técnicas desenvolvidas nos últimos anos alastraram as possibilidades de utilização dos aparelhos.
Além disto, Inglês observa que a popularização dos aparelhos ‘‘fez baixar seu preço, tornando-os cada vez mais acessíveis’’, por isso eles não são mais vistos somente na boca de adolescentes. Ele comenta ainda que, com a estabilização econômica, aos poucos vai crescendo o número de pessoas que podem recorrer ao dentista. Atualmente, 5% da população vai a consultórios e clínicas. ‘‘Não é exagero estimar que, em breve este número esteja dobrado’’.
Participantes dos cursos da ABO também alertam que mais de 90% da população apresentam algum tipo de alteração nas gengivas, com as chamadas doenças periodontais. A consequência pode ser um infarto do miocárdio, e no caso de mulheres gestantes, parto prematuro e seus bebês com peso abaixo do normal. Nesta especialidade, o curso é ministrado por Ricardo Grein, doutor pela Universidade de São Paulo e professor das universidades paranaenses PUC e UFPR.
Segundo Ricardo Grein, entre as causas das periodontias estão a falta de higienização correta, com uso de escova e fio dental, e hábitos como fumar e tomar cafezinhos com frequência. O problema é mais evidente a partir dos 35 anos, e pode resultar em infecção crônica, ‘‘predispondo as pessoas ao infarto e a parto prematuro’’. O especialista observa que qualquer sangramento em gengiva é um dos sinais de alerta para que seja buscado imediatamente atendimento especializado.
Para José Inglês da Silva, grande parte dos problemas bucais que afetam as pessoas poderiam ser evitados ainda em clínicas para bebês e com higienização adequada. Mas, mesmo que isso ocorra, há outros fatores que desencadeiam o problema. O profissional cita a má posição da articulação e a perda de dentes que inevitavelmente ocorre ao longo do tempo. ‘‘Todo mamífero como o homem tem dentes com vida útil que não é inesgotável’’, frisa.

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