Bem ali, em um quintalzinho no Água do Lindóia, na Zona Leste de Londrina, nasceu a mais bela orquídea do Norte do Paraná. Uma combinação das espécies LC Chamberliana e LC Edgard Van Belli, que resultou numa explosão de cores, quantidade e tamanho das flores nunca antes vistos na região.
O autor da façanha é o caminhoneiro aposentado Jayme Bassanezi que cultiva, há seis anos, mais de 400 plantas num orquidário, consumindo 10 horas semanais de trabalho. Carinho foi a palavra usada por ele para definir o sucesso do cultivo. ''E também não deixei faltar umidade, nem adubação correta para desenvolver bem'', completou.
Bassanezi apaixonou-se por orquídeas depois de ver uma mostra no parque de exposições anos atrás. ''Viajava bastante para o Mato Grosso e sempre me encantava quando via uma orquídea numa árvore. Sempre tinha vontade de levá-la para casa.'' Para ele, as orquídeas são ótimas plantas, pois não dão trabalho algum para cuidar. ''É só ela receber o que precisa para nascer linda'', ensinou.
Sedução colorida - A orquídea campeã pode ser vista até às 17 horas de hoje, na 2 Mostra Regional do Círculo Norte Paranaense de Orquidófilos, que acontece no Centro de Estudos da Língua Japonesa do Paraná. Segundo o presidente do Círculo, Vitor Silva, além das plantas em exposição, outras 3 mil unidades estão à venda, com pelo menos 30% de desconto em relação aos preços praticados pelas floriculturas da cidade.
''Estão expostos exemplares únicos de colecionadores de Cornélio Procópio, Ibiporã, Cambé'', informou Silva, ressaltando que os estandes contam ainda com plantas importadas e híbridos modernos, cultivados nos últimos 50 anos.
''O objetivo da mostra é congregar orquidófilos para que troquem experiências e mostrem o que têm em casa. São raras as oportunidades de mostrar o fruto do cultivo porque as orquídeas florescem apenas uma vez ao ano'', declarou Vitor Silva.
Origens diversas - Ele explicou que as orquídeas da exposição são nativas das Américas Central e do Sul, mas que as plantas podem ser encontradas em todas as partes do mundo, ''menos nas calotas polares, ainda'', brincou. ''Existe uma espécie na Austrália, a Rizantilla gardinerii, que sobrevive debaixo da terra. É uma planta rosada porque não tem clorofila'', contou.
A família Souza veio de Prado Ferreira (53 km ao norte de Londrina) para vender os exemplares produzidos no orquidário que já conta com 6 mil unidades. Trabalhando há cinco anos com orquídeas, agora é que Roberto Santos de Souza começou a comercializar as primeiras plantas.
''Temos um laboratório, fazemos a semente e depois a muda, até chegar à planta. É um processo que leva pelo menos cinco anos'', assinalou a filha do comerciante, Roberta Victor de Souza.
Além dela, a mãe, o pai, o irmão, o tio e a avó trabalham no cultivo de orquídeas. ''Meu pai é fissurado em orquídeas. Tudo começou como um hobby que acabou se transformando em negócio.'' Conforme Roberta, eles chegam a faturar até R$ 3 mil durante uma exposição como a de Londrina.
Serviço - A 2 Mostra Regional do Círculo Norte Paranaense de Orquidófilos acontece hoje, das 8 às 17 horas, no Centro de Estudos da Língua Japonesa do Paraná, que fica na Rua Humaitá, esquina com a Rua Paranaguá. A entrada é gratuita.

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