Espécies de orquídeas que facilmente eram encontradas na natureza como a Oncidium sarcodes e que sobrevivem à coleta predatória, nascendo em locais perigosos, como os rodeados de cobras, agora contam com a oportunidade de se reproduzirem em laboratório. A Oncidium é uma das contempladas no projeto ''Reprodução In Vitro de Orquídeas Brasileiras'', cujo objetivo é repovoar a região com espécies ameaçadas de extinção.
O trabalho é coordenado pelo professor Ricardo Faria, do departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), doutor em genética pela Unicamp e pós-doutorado em propagação, na Espanha. Faria também é diretor técnico do Círculo Norte Paranaense de Orquidófilos (CNPO), que reúne 60 produtores de Londrina e região. A entidade promoverá, de 10 a 12 de dezembro, no Armazém da Moda, a 10 Exposição de Orquídeas de Londrina, exibindo para o público, que poderá comprar as flores, exemplares de 10 cultivadores.
As flores amarelas da Oncidium, pintalgadas de marrom, que enfeitam hastes que chegam a até 1,5 metro, chamando a atenção de colecionadores, se destacam nos 800 metros do orquidário da UEL. No local é exibida ainda a Cattleya forbesii, orquídea que em dois ou três anos de idade já está florindo, enquanto outras espécies levam até cinco anos para dar flor.
''No laboratório podemos produzir a Cattleya em quantidade, podendo ser vendida por um preço acessível. Quando pensamos em povoamento, podemos também facilitar o acesso das pessoas a esse tipo de flor'', ressalta Faria.
No Paraná, somente da espécie Oncidium, existem mais de 30 tipos. Em laboratório, a planta tem mais chances de se reproduzir do que na natureza. ''Na natureza de 3 a 5% das sementes germinam. In vitro conseguimos um índice de 95% de germinação'', explica o pesquisador.
Plantinhas criadas em laboratório e que para leigos parecem forrar o fundo de vidros como uma floresta em miniatura, mas que no total de orquídeas cultivadas in vitro, atualmente, somam cerca de 30 mil mudas.
Um processo simples em que, depois da polinização, as cápsulas produzem 1 milhão de sementes. O tempo de germinação numa cultura de açúcar cristal, adubo, água deionizada tratada por um filtro é de três a 12 meses.
A fase mais crítica do processo é quando os ''bebês'' plantas permanecem no berçário, com cerca de cinco centímetros de altura, até irem para o vaso e, então, finalmente, para a natureza.
Fortes e saudáveis o suficiente, as orquídeas estão indo para locais protegidos, como a própria UEL, a Mata dos Godoy, Parque Arthur Thomas e, futuramente, o Jardim Botânico.

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