Orquídea vira atração em Cambé
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terça-feira, 06 de novembro de 2001
Francelino França<br>De Londrina 
Um capricho da natureza vem chamando a atenção num pequeno jardim em Cambé (13 km a oeste de Londrina). Num discreto vaso de barro de 20 centímetros, uma orquídea do gênero Cattleya produziu 60 flores no jardim da dona de casa Maria Aparecida Moreno, 66 anos. A beleza das flores, aliada à dificuldade de sua reprodução, que implica em sua raridade, fizeram das orquídeas de Maria Aparecida uma atração no bairro. Uma verdadeira peregrinação de curiosos vai admirar diariamente as orquídeas.
Há 23 anos ela cultiva orquídeas. ''Mas eu planto do meu jeito'', diz, sem cansar de falar da exuberância da planta. Outro fator a destacar é que há três anos a planta não floresce. Seu conhecimento sobre o cultivo das orquídeas vem da prática. Quando lembra, ela usa adubo foliar, e assume a falta de tempo para se dedicar às flores. ''Só abençôo as plantas'', diz.
Com um jardim caprichosamente arrumado, Maria Aparecida possui 120 espécies diferentes da flor. ''Dei muda para muita gente e enfeitei Cambé inteira'', revela. Ano após ano, ela registra as floradas em fotografias que acumula em diversos álbuns. No cultivo caseiro, o segredo para garantir o florescimento é manter o vaso com luz indireta. A variedade de formas, colorido e perfume das flores das orquidáceas explicam por si o interesse que sempre despertaram.
O professor Ricardo Faria, do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), considera essa superflorada incomum. No vaso, a orquídea do gênero Cattleya produz no máximo oito flores. Tudo indica que a planta de Maria Aparecida seja nativa. Faria explica que é uma Cattleya Warneri, originária do Espírito Santo e Bahia. A flor leva em média cinco anos para florir e necessita de locais com pouca sombra para desenvolver. Esse exemplar de floração rara levou vários anos formando folhas e nessa primavera teve as condições ideais de calor e emitiu as espatas com as gemas florais em abundância. ''Se todo ano der essa excepcional quantidade de flores, valeria a pena clonar'', afirma o professor.
A dona de casa desconhece que o mercado interno de orquídeas movimenta R$ 1,3 bilhão. Nas feiras e exposições organizadas por associações de orquidófilos que germinam em todo o Brasil, as flores do tipo Miltonia, Catasetum e Cattleya costumam atrair a atenção dos consumidores. No Brasil, existem 3.500 espécies de orquídeas nativas.


