De Curitiba
A Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP) corre o risco de ser extinta por absoluta falta de condições financeiras de sustentação dos músicos e instrumentos. A previsão pessimista parte de José Moraes, presidente da comissão sindical da OSP.
A apresentação da orquesta na abertura do Festival de Música de Cascavel, que estava marcada para as 20h30 desse domingo, já foi suspensa pelos músicos. ‘‘Os gastos com viagens são elevados e os instrumentos ficam mais suscetíveis de sofrer avarias. Não temos mais condições de arcar com esses gastos’’, diz Moraes.
Informações da assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura confirmam o cancelamento da apresentação. A secretária Lúcia Camargo estará em Cascavel para representar o governo estadual e informar os motivos que levaram ao impasse entre a OSP e o governo.
‘‘O governador Lerner passa uma imagem de incentivador da cultura, mas isso não se traduz em auxílio efetivo à orquestra sinfônica’’, diz José Moraes, concluindo que a atual situação é resultado de seis anos sem reajuste salarial na OSP.
Moraes afirma que o salário dos músicos está entre R$ 400,00 e R$ 500,00. Com ajuda de custo, fica em torno de R$ 1 mil, o que seria insuficiente para cobrir todas as despesas pessoais e com instrumento. ‘‘A média do salário em vários outros estados é de R$ 3 mil’’, reclama.
A pianista Analaura de Souza Pinto, uma das fundadoras da orquestra, há quase 15 anos, reivindica que, se os músicos são considerados servidores públicos estaduais, eles deveriam receber os instrumentos para trabalhar, como qualquer outro funcionário público. Ou receber salários que condissessem com os gastos.
A diretora do Teatro Guaíra, Mônica Rischbieter, não considera que o baixo salário seja uma justificativa para o cancelamento da apresentação em Cascavel. Ela disse que o Paraná tem feito esforços para reduzir os gastos com o funcionalismo e os músicos deveriam colaborar. ‘‘Há muitos outros servidores na mesma situação, que continuam trabalhando’’, declara.

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