Orientadoras usam máscara contra pombos
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quarta-feira, 06 de maio de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
O mau cheiro provocado pelo excesso de fezes de pombos no Bosque Central de Londrina motivou orientadoras de trânsito da Zona Azul a tomar uma medida radical: usar máscara para proteção contra o odor forte e para reduzir o risco de doença. As peças, que estão na moda desde que o surto de Gripe A (H1N1) - chamada de gripe suína - espalhou-se pelo planeta, foram compradas por R$ 0,35 pelas próprias funcionárias. A medida é uma boa forma de evitar contaminação, de acordo com especialista consultada pela reportagem.
A iniciativa partiu da orientadora Maria José Meirele, 25 anos. Na terça-feira, ela foi escalada para trabalhar num setor da Avenida Rio de Janeiro, ao lado do Bosque. Como ontem o destino dela era o trecho vizinho, teve a ideia de buscar a proteção. A principal motivação foi o mau cheiro. ''No primeiro dia aqui foi um horror. Nem consegui respirar direito'', comentou.
Obrigada a passar o dia no local - o expediente vai das 12h40 às 17h45 -, a jovem comprou a máscara. Um agravante para a jovem é a rinite alérgica, o que pode piorar com a exposição constante às fezes dos animais.
E o exemplo dela foi seguido pela colega Patrícia Aparecida Ribeiro, 23. Ela disse que é difícil trabalhar a tarde inteira no local e que a situação seria ainda pior se chovesse. ''Já vi gente usando máscara para varrer aqui. Então algum problema para a saúde tem'', declarou.
A ''sorte'' das orientadoras de trânsito é que a Zona Azul organiza um sistema rotativa e os profissionais trabalham em diferentes setores a cada dia. O coordenador Wellington Luís Marcatti informou que um estudo sobre os riscos à exposição aos excrementos está sendo elaborado e não descarta que o órgão forneça as máscaras como parte do equipamento de trabalho. Ele esteve no local na tarde de ontem para verificar se o uso não atrapalharia a comunicação entre os orientadores de trânsito e os motoristas.
Proteção
A superpopulação de pombos na Área Central da cidade está na agenda de discussão da sociedade londrinense há anos. A medida mais recente foi o decreto municipal 320/2009, assinado pelo então prefeito interino José Roque Neto (PTB), que prevê punição para quem for flagrado alimentando os animais. Outra medida foi a criação de um grupo de estudos formado por servidores de carreira para propor soluções para a superpopulação.
Para a infectologista infantil Jaqueline Capobianco, o uso das máscaras é uma forma correta de proteção contra doenças provocadas pelo fungo presente nas fezes dos pombos. Ela explica que o micro-organismo fica suspenso no ar, principalmente em áreas de grande movimento como o Bosque, e pode ser inalado por quem passa ou permanece no local. ''O fungo pode provocar doenças como meningite e pneumonia e é um risco principalmente para que está imunodeprimido'', explicou.


