O aumento do número de ambulantes no centro de Londrina levou a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e a Vigilância Sanitária a iniciar um trabalho de orientação sanitária com os vendedores de lanches.
No dia 27 de abril, técnicos da Vigilância e fiscais da Comurb organizaram a primeira reunião com a categoria. O encontro aconteceu na Cidade da Criança (Supercreche), na Rua Benjamin Constant (centro), e recebeu cerca de 80 ambulantes.
‘‘Alguns têm noção das medidas básicas de higiene, mas relaxam com o tempo. Outros se admiram com as exigências, principalmente porque os consumidores não costumam reclamar’’, disse a coordenadora do setor de alimentos da Vigilância, Solange Marques de Lima.
São normas estabelecidas pelo órgão o uso de jaleco e boné, cabelo cortado e unhas limpas, cobertura do carrinho contra sol e chuva, proibição de maionese caseira, frango e outras carnes em pedaços, desfiadas ou moídas, entre outras. Segundo a gerente de feiras e ambulantes da Comurb, Mônica Higashino, Londrina tem aproximadamente mil ambulantes cadastrados, mas tanto ela quanto Solange Marques de Lima não souberam precisar quantos comercializam lanches.
O local de maior concentração é ao redor do Terminal Urbano de Transporte Coletivo. No local, Joaquim Justino de Souza e a mulher trabalham há um ano e acham justas as cobranças da Vigilância Sanitária. A troca das bisnagas de maionese, catchup e mostarda pelos sachês é apresentada por ele como uma prova de obediência às orientações. Quanto à transferência dos ambulantes para a Praça Rocha Pombo, vizinha ao Terminal, ele disse que não vê problemas se a medida se aplicar a todos. ‘‘Já utilizamos as torneiras da praça para lavar os utensílios. O ideal mesmo seria um local mais estruturado com banheiros e pia de cozinha’’, disse Joaquim.
Segundo Solange Marques de Lima, as maiores dificuldades da Vigilância Sanitária são a falta de fiscais, a existência de ambulantes clandestinos e a flexibilidade legal que exige apenas a renovação do alvará da Comurb. ‘‘Não temos como cobrar anualmente do comerciante uma nova licença sanitária para trabalhar porque não há lei para isso. Contamos com o bom senso do ambulante, que deverá ter o mínimo de higiene para manter seus clientes’’, disse Mônica Higashino.
Aquele que não atender as recomendações da Vigilância pode até receber uma multa de R$ 2 mil ou até perder a licença para trabalhar. Mas, de acordo com Solange Marques de Lima, isso só acontece se for comprovado desrespeito contínuo às normas.
‘‘Sempre como nos carrinhos de lanche e nunca tive medo. É claro que observo a aparência do vendedor, a limpeza dos utensílios e do local. Mas acho que algumas das exigências dos fiscais são exageradas’’, afirmou o vendedor autônomo Waldemar Correia Gaspar.
A Comurb ainda não definiu local e calendário para as próximas reuniões com os ambulantes. Monica Higashino disse que a frequência dos encontros vai depender da repercussão das orientações. ‘‘Temos consciência que o número de fiscais é insuficiente, mas fazemos o que podemos’’.

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