Orientação sobre comportamento de risco
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de novembro de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Casos de pedofilia frequentemente ganham destaque na mídia nacional e internacional. O problema se tornou ainda mais frequente com a adesão de crianças e adolescentes aos sites de relacionamento da internet. Psicóloga entrevistada pela FOLHA afirma que estabelecer uma relação de afeto e confiança com os filhos, orientá-los sobre comportamentos de risco e monitorar seus hábitos são as melhores formas de prevenção contra os crimes de abuso sexual contra menores.
Pedofilia é um distúrbio sexual caracterizado por adultos que se sentem atraídos por crianças. ''Trata-se de um crime historicamente mais praticado por homens, que criam situações propícias para aliciar crianças. Isso pode acontecer através da internet, de vínculos estratégicamente criados para se aproximar das famílias da vítimas ou até mesmo de estranhos que aproveitam de um momento de desatenção dos pais ou responsáveis em locais públicos para seduzirem as crianças'', explica a coordenadora do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas III), a psicóloga Alessandra Rocha Santos Silva.
Segundo ela, monitorar a vida dos filhos e mostrar-se interessado em tudo o que acontece com eles é a uma das formas de evitar que as crianças se envolvam em casos de pedofilia. ''Em relação à internet, os pais devem ter acesso às senhas criadas pelos filhos para acessar determinados sites. Também é importante procurar saber com quem eles trocam mensagens e orientá-los a nunca tirar peças de roupa em frente à câmera do computador, não fornecerem dados pessoais, tomar cuidado ao postar fotos e jamais marcar encontro com estranhos'', orienta a psicóloga.
O cuidado em relação a estranhos deve ser redobrado em locais públicos. ''Os pais nunca devem se descuidar dos filhos quando saem de casa. Além de aconselhar os filhos, é importante criar uma relação de proximidade com as crianças e mostrar que entre pais e filhos não deve haver segredos. Vale lembrar que crianças com uma boa base afetiva em casa dificilmente irão se deixar seduzir por estranhos. Geralmente, os pedófilos têm mais facilidade de aproximar-se de crianças vulneráveis sentimentalmente'', destaca Alessandra.
Mudança
A coordenadora do Creas diz que geralmente a criança vítima de pedofilia apresenta alterações de comportamento que devem ser observadas pelos pais. ''É comum ocorrerem mudanças súbitas, como a criança extrovertida que de repente começa a ficar tímida, ou então o bom aluno que passa a apresentar problemas na escola'', exemplifica. ''Também é importante ficar alerta quando a criança se mostra intimidada com a presença de determinado adulto ou mostra interesse demasiado por alguma pessoa. Os pais ainda devem ficar atentos quando a criança começa a aparecer em casa com presentes sem justificativas para isso'', observa.
Notando qualquer indício de abuso sexual, Alessandra aconselha os pais a terem uma conversa com os filhos e se mostrarem acolhedores em relação ao problema. ''Os pais devem perguntar se está ocorrendo alguma coisa que os filhos queiram contar a eles. Entretanto, é importante reforçar para a criança que, independente do que eles forem relatar, os pais não irão brigar. Isso é imprescindível para estabelecer um clima de confiança'', aconselha a psicóloga.
Alessandra salienta que qualquer caso de abuso sexual envolvendo menores de idade deve ser denunciado aos órgãos que compõem a rede de proteção à criança e adolescente. Além do Creas III, a rede é formada pelo Conselho Tutelar, Vara da Infância de Juventude, Unidades Básicas de Saúde, Promotoria Pública e Polícia Civil e Militar.
O Creas III não tem dados exclusivos dos casos de pedofilia atendidos pelo órgão. ''Os casos de pedofilia estão inclusos nos dados gerais sobre casos de violência sexual'', informa Alessandra. Atualmente o Creas III acompanha cerca de 600 casos de violência sexual envolvendo menores de idade.


