Orientação da família é fundamental
Entre as jovens de pouca informação e menor poder aquisitivo, os motivos que levam à gravidez podem ser diferentes dos enfrentados pela classe média. A irmã Julita Martendal, diretora da Casa Maternal D. Paula, que acolhe e assiste adolescentes gestantes que não têm para onde ir, acha que falta orientação e modelo dentro da própria família. ‘‘Muitas vezes a gravidez é consequência de uma busca por uma situação melhor, que acaba não dando certo’’, diz a freira.
As mudanças de rumo na vida de uma adolescente que engravida são muitas. ‘‘A menina passa de criança para mãe, pulando uma etapa da sua vida onde iria se descobrir como mulher, se dedicar à profissão’’, diz a psicóloga Célia Fonsati. A maioria acaba, também, abandonando a escola, embora os serviços de apoio orientem para sua continuidade.
Para a enfermeira sanitarista Ana Maria Bittar, coordenadora do projeto Rodas de Conversas sobre afetividade, sexualidade e planejamento familiar da Pastoral da Criança, o alto índice de partos de adolescentes traz uma repercussão social muito séria. ‘‘São meninas que estão interrompendo a sua vida, que não vão mais trabalhar e enfrentarão, daqui para frente muitas dificuldades, seja financeira, seja pela própria exclusão que a sociedade faz’’.
A gravidez é fruto, normalmente, da relação sexual entre namorados e poucas vezes resultado de um encontro casual. Por isso, as profissionais que trabalham junto aos adolescentes procuram atingir também o pai da criança, conscientizando-o da necessidade de assumir o filho, o que acontece na maioria das vezes.
‘‘Em uma família onde existe amor, conversação, orientação sobre o que é certo ou errado, é mais difícil acontecer uma gravidez indesejada, porque o adolescente que vive numa família mais ou menos estruturada vai receber valores, normas, parâmetros que digam para onde ele pode ir. Por isso, a família é muito importante’’, completa Célia. (M.G.)

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