Orgulho da Vila Esperança é o Caic
Lucilia Okamura
De Londrina
Até o início da década, a Vila Esperança era considerada um dos bairros mais carentes de Ibiporã. Localizado em um terreno bastante acidentado e distante da área central, o bairro tinha muitos problemas e poucas benfeitorias. Hoje, a Vila conta com rede de esgoto, ruas asfaltadas, posto de saúde e com o único Centro de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente (Caic) do município. Moradores afirmam que muita coisa ainda precisa ser melhorada, mas dizem que agora o bairro é um bom lugar para viver.
A Vila Esperança, na zona sul de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), recebeu oficialmente este nome na segunda metade da década de 70. Antes de ser transformada em loteamento, o local era composto praticamente por chácaras e lavouras de cafezal. Quando cheguei, só tinha umas duas ou três casas por aqui, lembra o aposentado José Julio Ponciano, 69 anos.
Considerado um dos moradores mais antigos da região e uma das principais lideranças, seo Júlio, como é mais conhecido, explica que após ser transformada em vila, foi uma luta conseguir benfeitorias para o local. Aqui não tinha asfalto, posto de saúde, rede de esgoto e a escola era de madeira, afirma.
A primeira melhoria, lembra seo Júlio, foi conseguida em 87, com a pavimentação asfáltica de praticamente todas as ruas. Depois vieram a construção do posto de saúde, da rede de esgoto e outras benfeitorias. Mas o principal motivo de orgulho dos moradores é o Caic Alberto Spiaci. A construção do Caic foi uma bênção para nós, exagera o comerciante Renato Francisco da Silva, 25 anos.
Os prédios que formam o Caic podem ser vistos de longe e chamam a atenção de quem passa pelo local. Inaugurado em 93, o Caic atende 800 crianças do berçário até a 8ª série, oferecendo, além do ensino básico, diversos cursos culturais e profissionalizantes. O centro beneficia também pais de alunos e outros moradores da região, oferecendo supletivo e demais cursos, como pintura. O Caic contribui para melhorar o nível de vida da população, observa a diretora-auxiliar do centro, Ivonete Ferreira.
O Caic veio substituir a antiga escola municipal, que funcionava em uma casa de madeira que ainda hoje mantêm a placa de identificação. O local agora serve de moradia para um casal de aposentados. A prefeitura nos colocou aqui pra tomarmos conta porque estavam invadindo a escola, alega o aposentado José Gomes Ribeiro, 74 anos. Gosto de morar aqui, o bairro é bom.
Quem também não troca o bairro por nenhum outro é a comerciante Matilde Ribeiro da Silva, 62 anos. Proprietária do Bar e Mercearia Esperança, Matilde Silva, que diz estar satisfeita com a vida que leva. O meu comércio é pequeno, mas dá para eu sobreviver, resume.
Matilde da Silva morava em Londrina e chegou à Vila Esperança há 14 anos, quando o perfil do bairro era bastante diferente. Eu abri uma mercearia e nem sabia de onde vinha tantos fregueses, porque eu só via mato por aqui, conta, bem-humorada. Hoje, ela e o filho Renato da Silva reclamam só da falta de segurança. Deviam construir um módulo policial aqui no bairro e fazer batidas pelo menos duas vezes por semana, afirma a comerciante.
Renato da Silva acredita que algumas melhorias no bairro só serão conseguidas com a colaboração da população. E cita como exemplo o caso dos bueiros entupidos. Quando chove, entra água em algumas casas porque todo o lixo vai para os bueiros. Se os moradores não jogassem entulho na rua, isso não aconteceria, afirma.
A fama de um bom lugar para se viver não é unanimidade entre os moradores. A dona de casa Dirce Fermina diz que mal vê a hora de mudar para um outro bairro. Coloquei a casa à venda, mas não encontro compradores, lamenta. Se eu pudesse, ia embora correndo.
Morando há 11 anos na Vila Esperança, Dirce Fermina reconhece que o bairro ganhou muitas benfeitorias. Mas afirma que nos últimos quatro anos a situação na vila piorou. Veio muita gente morar aqui, por isso aumentaram as brigas, a violência, os problemas no trânsito, ressalta.
Segundo a dona de casa, um dos principais transtornos é que os motoristas trafegam em alta velocidade nas ruas, colocando em risco principalmente as crianças. Ela observa que as ruas, bastante inclinadas, contribuem para os motoristas dirigirem em alta velocidade. Antigamente não existia esse problema, afirma.
Dirce Fermina acredita que o bairro, apesar de ter melhorado em vários aspectos, ainda tem o estigma de violento e carente. Tanto que eu estou com dificuldade para vender a casa. Quando falo que sou de Vila Esperança, ninguém quer mais saber da casa.
O prefeito Nadir Bigatti considera que o bairro ainda é carente, mas que, por causa das benfeitorias, tem uma estrutura boa. Ele lembra que no início deste ano foi inaugurado o Cemic Ambiental, projeto que atende 70 crianças e adolescentes carentes do bairro. Além de reforço escolar e orientações diversas, as crianças trabalham no cultivo de plantas e flores que são utilizadas nos canteiros da cidade. Segundo ele, estão sendo construídos meio-fio em várias ruas.
Ao contrário do que os moradores alegam, o sargento Nilson Aparecido, da Polícia Militar (PM) de Ibiporã, afirma que a Vila Esperança não é o bairro mais violento do município. As ocorrências estão distribuídas em todos os bairros, aqui não tem um bairro que seja mais violento. Segundo ele, não é possível atender a reivindicação dos moradores de instalar um módulo policial porque este tipo de equipamento não existe mais na PM. O patrulhamento intensivo na cidade é feito por três viaturas e duas motos.
VILA ESPERANÇA
Localização: zona sul de Ibiporã
População: 1.600 pessoas
Infra-estrutura: rede de esgoto, pavimentação asfáltica, creche, escola e posto de saúde
Inauguração: segunda metade da década de 70Comunidade foi no passado sinômino de carência e problemas. Conquista de melhorias básicas contentam, hoje, a maioria dos moradores
Fotos Mário CesarIMAGENS E CENASCrianças brincam no pátio do Caic da Vila Esperança, em Ibiporã. Abaixo, vista geral do bairro: longe da cidade e erguido em terreno acidentadoFotos Mário CesarAcima, dona Matilde Ribeiro da Silva; ao lado, o aposentado José Gomes Ribeiro; abaixo, à esquerda, José Julio Ponciano; à direita, Dirce Fermina





