Órgãos oferecem ajuda gratuita
Além da Delegacia da Mulher, alguns municípios paranaenses contam com o Cram (Centro de Referência de Atendimento à Mulher). No Estado, 19 cidades têm o serviço. Em Londrina, além do Cram há o Numape (Núcleo Maria da Penha), projeto do governo estadual vinculado à UEL que presta atendimento a mulheres vítimas de violência de qualquer natureza.
O Numape existe desde 2013 e em mais de quatro anos de atividade atendeu cerca de seis mil mulheres de todas as idades e classes sociais. O núcleo oferece auxílio jurídico e psicológico gratuitos. "Toda mulher que está sofrendo uma violência, automaticamente a primeira coisa que o marido tira é o recurso financeiro. Toda mulher atendida por nós é hipossuficiente", explicou a coordenadora do núcleo, a advogada Claudete Canesin. A ajuda se mantém até que ela tenha condições financeiras e psicológicas de prosseguir sozinha. "Começamos a fazer um trabalho para ver se ela tem uma profissão e pode resgatar essa profissão ou ajudamos a encontrar um curso para que ela possa se qualificar e reconstruir a sua vida."
O governo do Paraná também disponibiliza o ônibus lilás, que presta atendimento não apenas em casos de violência, mas auxiliando na solução de várias questões relacionadas à mulher. O serviço é itinerante. Uma parte da agenda é feita pela Seds (Secretaria Estadual da Família e Desenvolvimento Social)e a outra, organizada de acordo com a solicitação dos municípios.
A coordenadora de Política de Mulher da Seds, Ana Cláudia Machado, ressalta que há uma subnotificação "gigantesca" dos casos de agressão contra a mulher quando se começa a pensar as violências invisíveis como formas de violência. "A vítima não sabe que ela está sendo vítima, mas a violência física é só a ponta do iceberg."
Canesin alerta que as violências psicológica, moral, sexual e patrimonial sempre evoluem para a violência física. "Quando não tem violência física é porque a mulher saiu antes da relação. Se ela ficar, vai acabar apanhando porque esse desrespeito vai crescendo tanto que não satisfaz mais só xingar e aí vem a violência física. Vêm um soco, um pontapé e em outra desavença ele bate mais do que bateu na primeira vez e depois dessa violência extrema começa a ameaça de morte e se ela não tomar cuidado, vai chegar às vias de fato."
Em Londrina, o Cram fica na avenida Carlos Gomes, 145, no jardim Lago Parque. O telefone é o (43) 3378-0132. O horário de funcionamento é das 8 às 17 horas. O Numape fica na rua Brasil, 742. O telefone é o 3344-0929 e o atendimento é de segunda a sexta, das 9 às 11h30 e das 14 às 16h30.(S.S.)





