A possível implantação de uma Guarda Municipal no município levantou opiniões divergentes quanto ao sistema de segurança proposto pelo Conselho Comunitário de Segurança de Londrina (Conseg). O assunto foi amplamente discutido ontem durante o simpósio ''Segurança em Londrina: A Guarda Municipal é parte da solução?'', realizado no auditório da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), que contou com cerca de 200 pessoas, entre representantes da sociedade civil e autoridades governamentais.
Uma pesquisa encomendada pelo Conseg, publicada ontem pela FOLHA, foi apresentada aos participantes. De acordo com a consulta, 76% dos entrevistados acreditam que a violência pode diminuir com o novo sistema de segurança. ''Quem respondeu a essa pergunta pode ser leigo no assunto, mas sente que o principal problema da cidade é a falta de segurança'', comentou o vice-presidente do Conseg, Cláudio Espiga.
O Comandante da Guarda Municipal de São Bernardo do Campo (SP), Antônio Branco, explicou que lá a corporção atua desde 1999. Ao todo, são 610 guardas atuando nas ruas e outros 90 em formação. Segundo o comandante, o investimento gira em torno de 1,7% do orçamento municipal. ''Há dez anos, indústrias estavam abandonando a cidade por conta da criminalidade. Hoje o lema de nossa cidade é ''Orgulho de Viver aqui''. Nossos homens andam de viaturas, são armados, e atuam na área de prevenção em conjunto com a Polícia Militar. Entre o ano de 2005 a 2006, constatamos uma redução de até 39% no número de homicídios'', explicou.
O prefeito Nedson Micheleti não compareceu ao evento. Representando Nedson, o secretário de Governo, major Adalberto Pereira, reforçou a posição da prefeitura. ''Nesse momento a guarda municipal não vai acontecer. A prefeitura não é contra, mas a lei não permite que o guarda municipal faça o mesmo trabalho que o policial militar. O problema da segurança pública tem que ser tratado dentro de sua esfera. Enquanto a lei não mudar, não vai acontecer'', disse.
O secretário se refere à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 534, do deputado federal Arnaldo Faria de Sá, que tramita na Câmara dos Deputados. Se aprovada, possibilita que a Guarda Municipal atue exatamente como a Polícia Militar.
Segundo o deputado, que participou do evento, para ser aprovada, são necessários 308 votos, número que ele acredita não ser possível atingir nesse momento. ''Existe uma forte resistência entre os Estados do Norte e Nordeste à implantação da guarda municipal. As pessoas devem entender que a guarda municipal não faz o papel da PM nem é ilegal'', completou.
O promotor da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Claudio Esteves, defende a implantação da Guarda Municipal como uma ''ação a mais'' que deve incorporar um plano de ações para combater a criminalidade em Londrina.

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