Órgão não é para museu, diz técnico
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terça-feira, 04 de novembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Arquivo FolhaVelhos temposEdmundo Lins (na foto de 1978 com o pai, Heinrich): restauraçãoO técnico e restaurador Edmundo Lins garantiu ontem à Folha, por telefone, que se o órgão de tubos da Catedral passar por algumas alterações ele com certeza voltará a funcionar normalmente. Edmundo é filho de Heinrich Lins, construtor do instrumento na década de 40, e foi também o responsável pela restauração do órgão quando este voltou a Londrina, em 94. Na época, ele diz, não houve tempo de realizar um trabalho completo e por isso somente 10% do instrumento acabou funcionando. Aquilo foi um fiasco. Fiz um acerto de emergência e fui muito pressionado para deixar o instrumento pronto no dia da inauguração.
O órgão da Catedral voltou a Londrina depois de ficar mais de 15 anos fora da Cidade. E depois de uma grande campanha, que angariou inclusive recursos junto à própria sociedade para que a reforma pudesse ser paga. Mas o instrumento nunca mais funcionou direito. Na semana passada, o monsenhor Bernard Carmel Gafá, da Catedral, disse que preferia ver o órgão no Museu Histórico de Londrina Padre Carlos Weiss porque, sem funcionar, tinha se transformado num estorvo para a igreja. Além do mais, ele lembrou, o órgão pertence à própria Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Edmundo Lins explica que o órgão funciona, originalmente, através de um sistema de pressão e contrapressão, chamado pneumático misto. Ele afirma que, em função do clima da Cidade, a transformação do instrumento em pneumático puro (só pressão) resolveria o problema de mau funcionamento. Essa já era a opinião do meu pai, diz, lembrando que a idéia quando restaurou o órgão era manter a característica original do instrumento. Mas a tentativa foi frustrada pelo péssimo resultado. Ele acredita que, se tivesse tido tempo e não fosse pressionado para terminar logo o serviço, o órgão hoje estaria em perfeitas condições.
Além da pressa que lhe foi imposta, Edmundo reclama que saiu da Cidade chateado porque o seu trabalho não foi reconhecido. Em Londrina, falar em dinheiro é como falar no capeta, comenta, sem citar nomes ou valores. Em 38 anos de serviço, foi a única cidade que me tratou assim. Já tenho 54 anos de idade e isso me machucou.
O restaurador conta que tem um carinho muito especial pelo órgão que, além de ter sido construído pelo pai, foi o primeiro instrumento em que ele trabalhou sozinho. O museu não é lugar para ele, que ainda pode tocar por muito tempo. E 90% do caminho, com a reforma anterior, já foi andado, afirma.
Mesmo sem citar quanto tempo e quanto dinheiro seriam necessários para trazer o órgão de volta aos bons tempos, Lins diz que estaria disposto a colocar o órgão funcionando. Mas observa: Eu gostaria de vê-lo funcionando, mas gostaria também de, desta vez, ser reconhecido. Porque sentimento não paga conta. A gente quer ser tratado dignamente.


