Israel Reinstein
De Curitiba
As entidades que apóiam os portadores do vírus da Aids planejam realizar protestos em todo o Brasil para evitar que faltem medicamentos para tratamento de soropositivos. Anteontem, o ministro da Saúde, José Serra, informou que o ministério tem recurso para comprar o coquetel de Aids até outubro. As organizações não-governamentais paranaenses, bem como as nacionais, consideram a situação como crítica, por isso pretendem realizar atos, onde o ministro estiver.
O presidente do Grupo Dignidade, Toni Reis, informou que as 417 entidades brasileiras planejam agir em conjunto. ‘‘A medida nos pegou de surpresa, porque vai afetar mais de 60 mil pessoas em todo o País’’, diz a coordenadora do Grupo Pela Vidda, Clarice Kalo. Ela argumenta que a interrupção do tratamento pode prejudicar a sobrevida dos pacientes.
De acordo com Toni Reis, no começo da década 80% dos soropositivos morriam de Aids. ‘‘Hoje, com a distribuição de remédios, apenas 11% dos portadores do vírus acabam morrendo’’, diz. Para ele, é importante que o governo federal trate com respeito os pacientes. Reis critica também a distribuição de medicamentos para tratamento de doenças oportunistas.
Clarice Kalo afirma que são comuns falhas no abastecimento de medicamentos para tratar os efeitos colaterais do coquetel. ‘‘O governo estadual não pode tratar os soropositivos na base de compras emergências’’, critica. A Folha procurou a Secretaria de Estado da Saúde, no entanto, os técnicos responsáveis pelo setor não foram encontrados.

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