Organização Não-Governamental pretende resgatar a afetividade
Um grupo de alunos da Universidade Estadual de Londrina, coordenados pela antropóloga Fátima Fontes, está correndo a cidade trocando belas fotos que retratam o cotidiano e obras de arte por qualquer valor em dinheiro. O objetivo do grupo é angariar recursos para construir, em Londrina, uma sede para a Proart, uma Organização Não-Governamental (ONG), que tem como objetivo levar as pessoas a reencontrarem o afeto, exercendo a criatividade.
É um grupo de resgate e reconstrução dos indivíduos para viver a sua afetividade no mundo, se sentir aceito, valorizado e amado, explica Fátima, doutoranda no tema amor pela Universidade Autônoma de Barcelona, na Espanha. Os trabalhos da ONG, em Londrina, já tiveram início. A princípio, a organização irá trabalhar apenas com dependentes químicos.
O pontapé inicial para a instalação da Proart na cidade foi dado semana passada com o seminário Falando de amor .... de trajetórias, diferenças e sentimentos, na UEL. No evento, Fátima Fontes falou sobre o tema que estuda há 10 anos - primeiro como tema de mestrado e agora, doutorado - e o qual, segundo ela, encontrou ressonância perfeita com a criação da Proart pelo fotógrafo Just Lourenzo, uma pessoa bastante próxima dela. A ONG, atualmente, funciona apenas nas cidades de Barcelona e Lleida (também na Espanha), reunindo cerca de 15 pessoas.
Ao longo de meu trabalho percebi que as pessoas que sofrem rupturas afetivas, não têm espaço para demonstrar a sensibilidade e outros sentimentos que são recusados socialmente, acabam buscando outras formas de se expressar. Essas formas são, quase sempre, autodestrutivas, como as drogas, o alcoolismo, a violência, comenta Fátima. Ela salienta que outro sentimento muitas vezes despercebidos é a extrema solidão da sociedade contemporânea. Hoje podemos namorar por telefone, fazer sexo pela internet. A prioridade é ganhar e gastar. Sentir se tornou secundário.
A falta de amor, na opinião da antropóloga, é a causa das grandes dores coletivas. Quando iniciei meus estudos sobre o tema, o fiz por me parecer que as formas de amor eram muito insatisfatórias, superficiais, fronteiriças. Hoje estou convicta de que o amor pode salvar a civilização.
Fátima Fontes vive hoje em Barcelona, onde conclui seu doutorado. A ONG será encaminhada por um grupo de alunos e professores da UEL. Ao escolher Londrina para o braço brasileiro da Proart, a antropóloga levou em consideração algumas informações. Entre elas, a de que a cidade recebe uma grande quantidade de pessoas de fora, o grande número de suicídios e de uso de drogas.
A minha linha de raciocínio foi: - Essa deve ser uma cidade de extrema solidão. Estou surpresa com Londrina, que ao mesmo tempo também é de uma grande sensibilidade. A Proart está funcionando na rua Souza Naves, 289. As reuniões são realizadas às terças-feiras, das 9 às 12 horas. A partir da próxima semana, serão abertas à comunidade em geral.Josoé de CarvalhoFalando de amor...Fátima Fontes: Estou convicta de que o amor pode salvar a civilizaçãoBenê Bianchi





