Há cerca de dez anos, os moradores do Residencial Santa Mônica (zona norte de Londrina) comprovaram a velha máxima de que união faz a força e tomaram para si a tarefa de construir um bom lugar para se morar. Tudo começou com a cessão do Poder Público da praça semi-abandonada que hoje, depois de muito investimento da comunidade, abriga uma quadra de esportes coberta digna de campeonatos e um bem tratado campo de futebol suíço. Ao lado da quadra, cujo aluguel realimenta os investimentos da Associação de Moradores, está o novo projeto do bairro: uma igreja de quase 600 metros quadrados.
O projeto arquitetônico é ambicioso e já consumiu, segundo a comissão de moradores responsável pela obra, cerca de R$ 250 mil nos últimos três anos. A ausência de igreja foi um dos agentes agregadores da comunidade.
''Como não tínhamos igreja no bairro as missas eram realizadas nas casas, daí surgiu a idéia da gente pegar a praça, que estava meio abandonada, e cobrir a quadra para rezar missas. Feito isso partimos para a construção da igreja'', comenta Edis Antônio Cola, membro da Associação de Moradores e da comissão da igreja.
Hoje a praça tornou-se fonte de renda para os projetos da Associação de Moradores. O uso do campo de futebol e da quadra poliesportiva, com espaço para realização de churrascos, é bastante disputado e o aluguel é revertido para a entidade que já tem planos para investir o dinheiro. ''Tudo foi construído com recursos próprios e temos a idéia de fazer uma piscina na associação, mas isso no futuro'', planeja Cola.
A comunidade também se une em torno das reivindicações. Há cerca de um ano, o bairro promoveu um panelaço na prefeitura protestando contra um projeto, posteriormente arquivado, de reativar o matadouro que faz divisa com o residencial. Para Cola, a capacidade de se organizar foi a melhor conquista da comunidade nos últimos anos. ''Descobrimos que temos força e isso consolidou o bairro'', opina.
Agora a associação tem uma nova luta pela frente: a rede de esgoto. Com quase 20 anos de fundação e mais de 400 famílias, o Santa Mônica sente-se injustiçado pela falta de serviço. ''Isso é um problema sério, o bairro é antigo e já tem gente tendo que furar calçadas para fazer fossas'', afirma Cola. Um abaixo-assinado está sendo organizado para reivindicar o serviço.

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