Organização de presos foi debelada, garante secretário
Lúcio Horta
De Londrina
O secretário Estadual da Justiça e Cidadania, José Tavares, assegurou ontem, em entrevista por telefone, que o Primeiro Comando do Paraná, uma organização de presos que estaria sendo organizada a partir da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), foi totalmente debelada há um mês, com o isolamento dos seis presos de São Paulo que cumprem pena no Estado. Os paulistas como são chamados esses presos seriam os líderes do movimento. Eu estive pessoalmente na PEL tratando do assunto, informou. E essa operação está desmantelada com certeza absoluta, garantiu o secretário.
Segundo informou a Folha na edição de sábado, o problema foi descoberto com a apreensão, na PEL, de um estatuto do movimento. O objetivo do grupo, segundo o texto, seria a união dos presos contra a repressão e os maus-tratos. Entre outras medidas, o estatuto previa pena de morte ao preso que não colaborasse com o movimento, ações de resgate, sequestro de autoridades visando libertação de presos etc.
Depois que tomou conhecimento do estatuto, na última quinta-feira, a diretora do Fórum de Londrina, Lídia Maejima, pediu abertura de inquérito policial para investigar o caso.
Quando começamos a perceber que eles (os paulistas) estavam trazendo know how de fora, trouxemos todos para cá (Curitiba) e os isolamos. Eram dois de Londrina, dois de Maringá e outros dois de Curitiba, que poderiam contaminar os outros presos. Hoje não tem nenhum paulista mais em Londrina, garantiu José Tavares. Ele explica que é comum as secretarias estaduais de Justiça trocarem os presos mais perigosos quando estes começam a dar problemas nos estados de origem.
Os presos paulistas são: Misael Aparecido da Silva, apontado como um dos mentores da organização; Júlio César Guedes, César Augusto Roriz da Silva, José Márcio Felício, José Eduardo Moura da Silva e José Evanilso Melo da Silva. Juntos, eles somam mais de 300 anos de pena, a maioria por crimes de roubo e latrocínio.
Além de isolar os líderes do movimento, o secretário informou também que está gestionando junto ao Departamento Penitenciário de São Paulo o retorno dos seis presos para o Estado vizinho. Ele espera definir a remoção no dia 10 de setembro, numa reunião sobre sistemas penitenciários que vai ocorrer em João Pessoa (PB). A partir de agora também vamos dificultar ao máximo esse tipo de intercâmbio, disse.
O secretário explicou ainda que tratou o problema do comando com a discrição que o caso exigiu. Não queríamos levar pânico para a população, mas também não temos o que esconder. Hoje temos controle absoluto da situação. Não há mais preocupação, afirma.
Tavares acrescenta que o comando provavelmente tenha sido a primeira tentativa de se formar uma organização dentro dos presídios paranaenses. Ele recorda que há cinco anos, quando também era secretário de Justiça, se falou num braço do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro, atuando no Paraná. Mas naquela época não passou de boato, conta.
Debelado ou não, o inquérito que irá apurar a organização de presos em Londrina deverá ser aberto ainda esta semana. Ontem, o delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, indicou o delegado Eurico Hummig Filho para conduzir as investigações. Hummig atende interinamente no 6º Distrito Policial, que atende a região da PEL.
Vamos apurar para saber quem escreveu esse estatuto e ver até onde isso tem seriedade. Alguma coisa deve ter de sério, observou Fernandes. Eurico Hummig acrescentou que pretende ouvir todas as pessoas envolvidas no caso. Também titular da Prisão Provisória de Londrina, que funciona anexa à PEL, Hummig disse desconhecer a existência do comando. Até me estranha. Sou policial há 27 anos e nunca ouvi falar nisso. É uma situação preocupante.





