Orelhões serão trocados em Curitiba
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quinta-feira, 02 de abril de 2009
André Amorim<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Nas próximas semanas começa a ser feita a substituição dos orelhões em Curitiba. Os aparelhos atuais serão gradualmente trocados por aparelhos novos com as cores da empresa de telefonia Oi, que adquiriu a Brasil Telecom, responsável por estes equipamentos, no início deste ano. Uma das expectativas com a mudança é a possibilidade de impedir a veiculação de publicidade de prostituição nos telefones, prática corriqueira observada hoje nos telefones públicos do centro da Capital.
A solução desse problema, porém, não parece ser tão simples. Na opinião do diretor do Departamento de Fiscalização da Secretaria de Urbanismo da prefeitura de Curitiba, José Luiz Filipetto, os contraventores parecem estar sempre a um passo à frente das autoridades no que se refere às estratégias de atuação. Quando a panfletagem começou a ser coibida pelo poder público, com a retirada ostensiva dos anúncios, começaram a aparecer carimbos com o contato das garotas de programa. Segundo ele, os novos telefones da Oi seriam revestidos por uma tinta especial que impede a fixação de carimbos. Mas eis que quando esse problema parece resolvido, os fiscais da prefeitura começaram a notar a presença de adesivos com essas propagandas, prova de que os contraventores reinventam suas práticas para driblar a fiscalização.
Para Filipetto, a presença dos anúncios é apenas ''a pontinha do iceberg'' de um esquema mais complexo e criminoso. No ano passado, ele encaminhou um ofício às concessionárias de telefonia para que elas revelassem o endereço dos telefones anunciados. Como o sigilo dos clientes é um preceito legal, as empresas não forneceram esta informação. Com isso, o Departamento de Fiscalização encaminhou um ofício ao Ministério Público para que o nome e o endereço desses agenciadores fosse obtido mediante mandado judicial.
Filipetto conta que entre 13 e 15 endereços foram fornecidos, mas destes, apenas dois continuavam em atividade, prova de que a rotatividade é muito grande nessa área. Tratavam-se de centrais telefônicas que agenciavam os programas e encaminhavam os clientes aos endereços onde atendem as prostitutas. Nesse ponto o serviço de fiscalização ficou com as mãos atadas, pois não há como provar que nestes endereços acontecem programas sexuais. ''Elas (as prostitutas) dizem que ali é a casa delas'', conta Filipetto.
Para ele, a solução desta situação, que encobre o crime de favorecimento à prostituição, previsto no código penal, depende de outros órgãos voltarem os olhos para esta prática. ''É difícil uma solução se não envolver a área da segurança pública'', avalia.


