Silvana Leão
De Londrina
Os usuários de telefone público nem imaginam que, ao fazer uma simples ligação, estão sujeitos a se contaminar com fungos e bactérias capazes de causar vários tipos de doenças, como micoses, diarréia, infecções respiratórias e até otite. Sem uma limpeza constante e eficiente, os aparelhos instalados em orelhões podem se constituir em fontes de contaminação microbiana.
As professoras Jacinta Sanchez Pelayo e Halha Ostrensky Saridakis, do Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explicam que no contato da mão com o aparelho (principalmente o monofone, utilizado para falar e escutar) ocorre deposição de gorduras e células mortas que podem resultar em microorganismos. ‘‘As gotículas de saliva também podem veicular bactérias e fungos’’, detalham.
As docentes lembram que a sobrevivência das bactérias no ambiente varia entre as diferentes espécies. Algumas desaparecem rapidamente, outras, como as que têm esporos, permanecem viáveis por tempos prolongados. ‘‘Os fungos, por apresentarem na maioria das vezes esporos de resistência, sobrevivem melhor que as bactérias.’’ Os riscos de infecção por estes microorganismos aumentam muito quando há algum tipo de lesão na região que entra em contato com o aparelho.
Em Londrina, a limpeza dos telefones públicos da Sercomtel é feita pela Principal Serviços Técnicos, que realiza a ‘‘faxina’’ uma vez por mês ao custo de R$ 2 mil. Segundo o gerente-regional da empresa, Angelo Antonio Martin Junior, todos os orelhões, com exceção daqueles que recebem anúncios de empresas, têm a cúpula lavada com água e sabão e polida com cera automotiva. Internamente, são utilizados produtos multiuso.
Já os aparelhos telefônicos recebem limpeza com uma flanela seca e outro pano embebido em álcool. Segundo Angelo Martin, o contrato anterior com a Sercomtel previa uma limpeza a cada 15 dias. Mas agora, para reduzir custos, a faxina passou a ser mensal.
As especialistas da UEL afirmam que a limpeza com álcool é eficiente para o combate aos microorganismos, mas acham que a realização deste trabalho apenas uma vez a cada 30 dias não é suficiente. ‘‘Ainda mais em se tratando de um clima quente como o nosso, onde a multiplicação dos fungos e bactérias é maior.’’ O ideal, dizem, é que um aparelho bastante utilizado fosse desinfectado uma vez por dia. As professoras também recomendam que nos monofones em que haja acúmulo de sujeira (crostas), sejam utilizados detergente e pano úmido antes da desinfecção.
Em Londrina, o setor de vigilância sanitária da Secretaria de Saúde não faz fiscalização em telefones públicos para levantar o nível de contaminação nos aparelhos. ‘‘Não existe uma norma que regulamente a exigência deste tipo de fiscalização’’, informa a enfermeira Geane Zupellari, acrescentando que qualquer objeto que fique em contato com um grande número de pessoas pode oferecer riscos de transmissão de fungos.
Segundo a enfermeira, os trabalhos da Secretaria são pautados de acordo com o grau de risco epidemiológico para a população, e cita como exemplo a contaminação iminente pelo vírus da hepatite ou por água contaminada.Fungos e bactérias causadoras de doenças ‘habitam’ os monofones dos aparelhos públicos; especialistas recomendam rigor na limpeza
Josoé de CarvalhoPaulo WolfgangLIGAÇÃO PERIGOSAAs professoras da UEL Jacinta Pelayo e Halha Saridakis que recomendam limpeza diária dos orelhões; abaixo, o londrinense Adoniro Prieto Mathias, um dos idealizadores do telefone que dispensa o uso do monofone

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