A popularização do celular e os vários recursos de comunicação via internet estão transformando os telefones públicos em aparelhos quase obsoletos. Porém, os velhos e bons orelhões ainda continuam salvando muita gente de apuros. Os equipamentos ainda são prestigiados por usuários que não abrem mão deles na hora de conversar com familiares e até para resolver questões profissionais.
''Eu tenho celular, mas não abro mão do orelhão'', enfatiza a cabeleireira Adair Carvalho de Sá. Moradora do Jardim União da Vitória (Zona Sul de Londrina), ela diz que prefere usar o telefone público por achar que as ligações ficam mais baratas. ''Os créditos de celular são muito caros. Por isso, uso o orelhão todos os dias para conversar com a minha família que mora em Ibiporã. Chego a consumir oito cartões com 40 unidades por mês'', afirma.
Além do contato com a família, Adair diz que o orelhão localizado em frente ao seu salão de beleza acaba servindo para tratar assuntos profissionais e ainda serve de canal de comunicação para moradores do bairro. ''Esse orelhão recebe chamada o dia inteiro. Quando não é cliente querendo marcar horário no salão é alguém querendo deixar recado para algum vizinho'', conta a cabeleireira.
A vendedora Sandieli Gomes de Souza, moradora da Zona Norte, diz que apesar de preferir falar pelo telefone celular, acaba recorrendo ao orelhão em algumas ocasiões. ''Tenho um plano que pago pouco mensalmente, mas para ligar alguns números 0800 não aceitam chamadas de celular. Então acabo indo para o orelhão quando preciso ligar para algumas empresas ou para solicitar informações de números pelo 102, que é mais rápido e prático'', afirma.
O baixo custo das ligações pelo telefone público também é apontado pelo cortador de cana José Aparecido Romão como o motivo principal para não deixar de usar o equipamento. ''Os cartões de telefone público são mais baratos que os créditos de celular. Por isso, sempre tenho um cartão comigo que é para falar com a minha família que mora em Florestópolis quando estou em Londrina'', afirmou ao contar que estava na cidade em busca de tratamento médico.
Os mesmos argumentos foram usados pelo representante comercial José Marcel Rosa. ''Moro em Campinas (SP) e viajo todo o Brasil a trabalho. Quando estou na minha cidade só uso o celular. Mas quando viajo prefiro usar o orelhão para falar com meus clientes para evitar a cobrança de interurbano que é muito caro'', ressaltou.
Ao utilizar um telefone público no Centro de Londrina, Rosa aproveitou a ocasião para elogiar os telefones públicos da cidade. ''Em outras cidades tenho que andar vários quarteirões para encontrar um orelhão que funcione. Em Londrina tem praticamente um telefone em cada quadra e todos funcionam perfeitamente. Fiquei impressionado com essa eficiência'', salientou.

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