Baixa auto-estima e isolamento são traços comuns às pessoas que possuem orelha em abano. Este defeito congênito, que também é genético, não interfere na audição, mas pode ser determinante para a qualidade da convivência social. Há casos de crianças que se recusam a ir para a escola, temendo os cruéis e inevitáveis apelidos.
A melhor parte da história, porém, é que existe correção para o problema, e melhor ainda, é oferecida também pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Londrina, o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar) realiza a cura cirúrgica de orelha em abano nos hospitais da Zona Sul (HZS) e Zona Norte (HZN). O objetivo é construir a curvatura anti-helix e reduzir o afastamento entre a orelha e a cabeça.
Nos últimos cinco anos cerca de 250 pessoas, entre crianças e adultos, participaram desta experiência pelas mãos do cirurgião plástico Ivan Rosa, no Hospital Zona Sul. Segundo ele, a infância é a fase ideal para submeter-se ao procedimento porque a orelha cresce até os seis anos e, coincidentemente, é nesta época que o indivíduo iniciará os estudos e aumentará seus relacionamentos.
''Minha recompensa é receber o paciente sorrindo de felicidade. As mulheres, normalmente, voltam ao consultório com rabo-de-cavalo para exibir as orelhas e as crianças dão beijos de agradecimento'', comentou o médico, que já operou pessoas de até 50 anos de idade, em 35 anos de atividade.
A cirurgia praticamente não oferece risco. Mesmo assim, todos os cuidados pré-operatórios são tomados. O procedimento dura cerca de uma hora, com anestesia local em adultos e geral nas crianças. O paciente deixa o hospital no mesmo dia. Vinte e quatro horas depois, o curativo é retirado e, após duas semanas, é a vez dos pontos. Em 5% dos casos, o procedimento é refeito devido à força da cartilagem. ''Às vezes, algum dos pontos de nylon arrebenta anos depois. É por isso que a recuperação inclui o uso de uma touca feita de meia fina e tiara nos primeiros 30 dias. Para as meninas isto é fácil. Mas os meninos costumam resistir um pouco à orientação'', disse o cirurgião.
Atualmente a fila de espera possui cerca de 80 pessoas, que aguardam aproximadamente um ano e meio para corrigir as orelhas. A expectativa é que a parceria com outro cirurgião plástico, que há dois meses realiza o mesmo procedimento no Hospital da Zona Norte, diminua muito este prazo.

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