O agricultor Álvaro Muzzolon, 52 anos, morreu de infarto ontem pela manhã durante uma ação da Polícia Federal em Cantagalo (80 km a oeste de Guarapuava). A operação, determinada pela Justiça Federal de Guarapuava, buscava apreender os transmissores da Rádio Comunitária do município que funcionava na secretaria do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Cooperativa dos Trabalhadores Rurais e de Reforma Agrária do Centro-Oeste do Paraná (Coagri). Muzzolon, que tinha problemas de saúde, morreu no hospital de Cantagalo.
Para impedir que os policiais e membros da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) levassem os equipamentos, as pessoas que estavam reunidas ao lado da secretaria se mobilizaram em frente à rádio. Dois agentes da Polícia Federal ficaram feridos e uma viatura foi danificada.
Segundo um dos diretores estaduais do MST, Elemar do Nascimento Cezimbra, esta é a segunda vez que a polícia faz a apreensão dos equipamentos em menos de dois anos de funcionamento da rádio ‘‘que tem uma função importante, unindo a população em torno dos problemas de Cantagalo’’. ‘‘Todas as entidades têm espaço na rádio’’, alegou. Para ele, os policiais agiram com violência. ‘‘Os homens estavam com coletes da Polícia Federal, mas não se identificaram e nem mostraram o mandado judicial. O tumulto começou quando os policiais pegaram o transmissor e o agrônomo Ronaldo Franco de Oliveira tentou impedir’’, contou.
‘‘Nosso companheiro apanhou e só não foi colocado dentro da viatura porque nós não permitimos’’, disse Cozimbra. Em nota para a imprensa, a secretaria do MST diz que Muzzolon começou a discutir com os policiais, passou mal e acabou morrendo. O MST afirma que a população está revoltada com a atitude da Polícia Federal, e que a rádio voltaria a funcionar ainda ontem.
Para o delegado regional da PF, Luiz Melzer, os agentes somente cumpriram determinação judicial. ‘‘A rádio está funcionando de forma irregular, descumprindo a lei e causando interferência em outros tipos de comunicação, inclusive aeronaves’’, explicou.
Segundo o delegado, os agentes mostraram o mandado de busca e apreensão, mas o documento foi tomado pelos integrantes do movimento e pisoteado. ‘‘Desde o ano passado já foram realizadas mais de 20 apreensões de equipamentos de transmissão e este foi o único caso de resistência’’, disse. ‘‘Ontem mesmo foi realizada também a apreensão dos transmissores da Rádio Comunitária de Pinhão e nada aconteceu’’, completou.
Melzer disse que os agentes foram intimidados pela concentração de populares, mas vão agir dentro dos procedimentos normais. ‘‘Vai ser instaurado um processo de danos ao patrimônio público e de lesões aos funcionários que estavam exercendo as suas funções’’, disse o delegado. ‘‘Vamos agir dentro das medidas legais’’, assegurou.

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