Cambé – A Polícia Civil investiga a possibilidade do assassinato do agente penitenciário, morto na segunda-feira, em Cambé (Região Metropolitana de Londrina), ter ocorrido a mando de internos da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). O crime aconteceu por volta das 18h30, quando Kevin de Souza, de 21 anos, chegava em casa, no Jardim Silvino, em Cambé.
Horas depois, Guilherme Bertha Alves Miranda, de 19 anos, foi preso em Londrina. Ele é suspeito de ser o autor dos seis tiros que mataram o rapaz.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Jorge Barbosa, a namorada, o pai e dois primos da vítima seriam testemunhas do assassinato e ajudaram a polícia na identificação do suspeito. "Ele [Guilherme] foi antes no local, sondar, com a desculpa de que iria alugar uma casa. Foram passadas informações sobre ele e os policiais fizeram a abordagem. As características eram as mesmas que nos foram passadas, inclusive a roupa era a mesma", comentou Barbosa.
A prisão do suspeito ocorreu por volta das 22 horas, no Conjunto Aquiles Stenghel, na zona norte de Londrina. Na casa dele, a polícia apreendeu ainda duas pistolas 380, uma motocicleta e uma quantidade não informada de crack e maconha. O rapaz já respondia inquérito por roubo e foi levado para a Delegacia Central de Cambé.
O delegado suspeita que o crime não tenha motivos passionais, como chegou a ser ventilado logo após o assassinato. "O rapaz primeiro disse que seria por questão de mulher, mas depois voltou atrás. Temos certeza que pode ser encomenda de dentro da PEL", pontuou.
A opinião é compartilhada pelo diretor do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) na região, Edevaldo Ramos. "O Kevin foi alvo de uma covardia de marginais que queriam uma prova de batismo para entrar na criminalidade. Para eles, poderia ser qualquer ente da Polícia Militar, Civil ou agente penitenciário", sustentou.
Segundo Ramos, a vítima não tinha problemas com presos ou colegas de trabalho. Kevin era contratado por meio de Processo Seletivo Simplificado (PSS). O contrato dele venceria em julho. "Temos noção de que 90% dos que estão na carceragem querem se ressocializar e que é uma minoria que acaba ganhando poder no crime. O que precisamos é de um regime diferenciado", sugeriu Ramos.
O atendimento nas penitenciárias do Estado foi feito de maneira parcial ontem, em protesto por conta da morte do agente. Conforme o sindicato, 16 agentes penitenciários foram mortos no Estado nos últimos 20 anos. Em maio, um agente penitenciário já havia sofrido um atentado em Londrina. Ele foi baleado por atiradores que estavam dentro de um carro na Avenida Saul Elkind (zona norte).

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