A invasão da Fazenda Mitacoré começou em 6 de agosto do ano passado, quando 120 famílias ocuparam uma estreita faixa entre a BR-277 e o limite da propriedade. No final daquele mês, os invasores começaram a entrar na fazenda - primeiro para retirar eucaliptos, depois para ‘‘construir’’ um campo de futebol e, por último, para iniciar o plantio na área.
Em 7 de outubro, o juiz da Vara Cível de São Miguel do Iguaçu, Elias Duarte Rezende, concedeu reintegração de posse em favor da diretoria interventora do Banco Central no Bamerindus. Até a última sexta-feira, a ordem ainda não havia sido cumprida.
Mesmo já tendo ocupado a maior parte dos 1.098 hectares da fazenda com o plantio de mandioca, soja, milho e algodão, os sem-terra mantêm o acampamento na faixa de domínio do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER). Na sexta-feira, 154 famílias (cerca de 750 pessoas) moravam sob dezenas de barracos de lona.
Altair Simionato, um dos coordenadores do acampamento, disse à Folha que a intenção do MST é ocupar totalmente a fazenda, à medida que os funcionários da Mitacoré forem colhendo as lavouras que plantaram logo após a invasão.
O administrador da fazenda, Jair Ruhoff, informou que as únicas áreas que ainda estão sob seu domínio são 120 hectares de soja que deve ser colhida em 30 dias e a sede, onde moram os 20 funcionários da fazenda. Segundo ele, a maioria dos empregados já está ociosa.
Simionato disse que os sem-terra tiveram que fazer dívidas de R$ 100 mil com fornecedores de sementes e defensivos da região para plantar a primeira safra na área ocupada. ‘‘A primeira colheita será para pagar essas dívidas’’, antecipou. Ele anunciou também que os sem-terra querem transformar a área em uma grande produtora de cereais, leite e hortaliças. (Valmir Denardin)

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