Ordem de devolução de lotes choca os proprietários
Ninguém esperava em Jandaia do Sul, município com 19 mil habitantes e 15 mil eleitores, que o Tribunal de Contas mantivesse a decisão tomada em 94, de determinar a anulação das doações e de fazer com que os terrenos voltassem a pertencer à prefeitura.
A notícia chegou no início da semana à cidade e já tomou conta das conversas em bares, restaurantes, sede da prefeitura e Câmara Municipal. Todos se perguntam: como fazer para não demolir as casas?
A notícia da decisão do TC chegou anteontem para o comerciante Ricardo Couto, 31 anos, casado, sem filhos, que comprou uma casa pronta no conjunto Miguel Capocci em dezembro de 93, por cerca de US$ 40 mil. Ele ficou sabendo pela reportagem da Folha.
Surpreso, disse que ninguém tinha lhe avisado: Estou sabendo através de vocês. Acho isso um absurdo. Como é que a prefeitura vai fazer para nos ressarcir se a decisão for pela demolição das casas? O que é que eu vou fazer?, perguntou Ricardo.
Ele comprou a casa (com três quartos e dois banheiros) de Lindolfo Henry. Este, por sua vez, havia comprado o lote de um dos beneficiados pelas doações, do qual ele não lembra o nome. Acho que a prefeitura deve receber de cada beneficiado com a doação do valor do terreno nu, comprar outro terreno e resolver logo este problema, sugeriu. Ele diz que não sairá da casa de jeito nenhum: Vou brigar até o fim. Suei muito para conseguir a casa. Daqui eu não saio.
As casas do conjunto são as melhores de Jandaia do Sul. Todas são cercadas e algumas têm piscinas e antenas parabólicas. Os que moram na primeira rua do conjunto têm o privilégio de apreciar das janelas de suas casas um fundo de vale que se abre por mais de dois quilômetros no horizonte.
A menos de 500 metros do conjunto, a maior favela da região abriga cerca de mil famílias de bóias-frias. São casas de lona, plástico e madeira levantadas há mais de 10 anos em meio aos barrancos, que costumam desabar quando chove em Jandaia do Sul.





