Depois da prisão de dois estudantes na Boca Maldita, em Curitiba, na semana passada, militantes e políticos ligados ao PT e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltaram ontem a fazer panfletagem no centro da capital contra o governador Jaime Lerner. Com o título ‘‘No governo Lerner, os direitos não são humanos’’, o panfleto destacava as prisões, torturas e assassinatos de agricultores registrados desde a primeira gestão de Lerner.
O ato serviu ainda para repudiar a prisão do estudante universitário Gilson Sérgio Tessaro. Ele foi preso por policiais militares na tarde de quinta-feira da semana passada enquanto participava de uma panfletagem para criticar a violência adotada pela PM nas ações de despejo dos sem-terra na região noroeste do Paraná. O deputado estadual Angelo Vanhoni (PT), que participou da panfletagem, classificou de ‘‘aberração’’ a prisão do estudante e a apreensão dos panfletos que atacavam Jaime Lerner, que aparece num farda de general.
‘‘Todos os fatos mencionados no panfleto já foram denunciados à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Não há nada de novo no material apreendido’’, disse Vanhoni. O parlamentar disse que o fato de Lerner aparecer como um ditador representa ‘‘uma crítica política ao governo através de uma charge. Não estamos questionando a pessoa do governador, mas a conduta do próprio governo do Estado, que não aceita críticas do jogo democrático’’.
Em nota à imprensa, o presidente do Conselho Estadual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), pastor Edgar Ravache, criticou ontem as decisões da Justiça nos casos de desocupações. ‘‘Causa-nos vergonha o nosso sistema judiciário quando vemos uma juíza, Elizabeth Kather, do Fórum de Loanda, que expediu 45 ordens de reintegração de posse, festejar a ação policial com proprietários rurais e sugerir uma união entre fazendeiros, PMs e o judiciário deixando claro a arbitrariedade com o qual se aplica as leis neste País’’, menciona o texto.
As ações de despejo, segundo o pastor, não podem ser esquecidas. ‘‘Não é possível fechar os olhos para um explícito desrespeito aos direitos humanos’’, acrescenta.
Ravache, que é ligado a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), disse que a Reforma Agrária não é caso de polícia e cobrou do governo do Estado ‘‘tratar este assunto com sensibilidade social da qual fala ao candidatar-se ao poder’’.

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