Luciana Pombo
O deputado estadual Nereu Moura (PMDB), presidente da Comissão de Terras da Assembléia Legislativa, classificou ontem como parcial e faccioso o relatório apresentado pelos deputados que fizeram parte da comissão especial encarregada da realização de vistorias em sete fazendas desocupadas na região Noroeste do Paraná. O relatório foi entregue ontem à Mesa Executiva da Assembléia que resolveu analisar o parecer antes de encaminhá-lo para a votação em plenário.
No relatório, são apontados os possíveis prejuízos sofridos por proprietários de terras com os acampamentos de sem-terra em áreas consideradas produtivas. Os prejuízos, segundo o relatório, ultrapassam R$ 950 mil. Os sem-terra são acusados de terem furtado 100 jacarés, 384 cabeças de gado, 147 novilhas e cobrar pedágio para que a soja fosse colhida numa das fazendas invadidas. Eles ainda são responsabilizados pela destruição de casas, furto de mobília e objetos pessoais, utilização de maquinários, ameaça a proprietários de fazendas, furto de madeira, porte ilegal de armas e de terem ateado fogo em pastos. ‘‘Ninguém tem o direito de condenar os sem-terra antes de dar a eles o legítimo direito defesa’’, afirmou Péricles de Mello, líder da bancada do PT. De acordo com ele, o relatório possui 200 páginas e a transcrição de depoimento de fazendeiros, funcionários e moradores da região. ‘‘Ninguém ouviu os sem-terra’’, acusou ele. A Comissão de Terras analisará o parecer final da comissão especial numa reunião marcada para hoje, às 10 horas. A intenção é buscar argumentos para o arquivamento do relatório. Ontem, o deputado Plauto Miró (PFL), que participou da comissão especial, tentava garantir a aprovação do documento. ‘‘Não iremos desistir’’, declarou ele que quer enviar o relatório para o governador Jaime Lerner, ao Tribunal de Justiça, Ministério Público e Ministério da Reforma Agrária.

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