Adquirir mais agilidade e habilidade para resolver problemas, colocar em prática a teoria aprendida em sala de aula usando a criatividade e o trabalho em equipe. Embora sejam benefícios bastante interessantes, eles não são o único atrativo para os jovens talentos da computação que participam da final brasileira da Maratona de Programação, no Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina.
Além de aprimorarem suas habilidades, os cerca de 150 estudantes, de 45 universidades e institutos de pesquisa renomados de todos os estados brasileiros, conquistam o olhar de grandes empresas da área de computação, como Microsoft, Google, IBM e outras corporações que, geralmente, abrem as portas para os competidores mais talentosos. É o que atestou o responsável no Brasil pela competição, Carlos Eduardo Ferreira, professor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (USP).
Na tarde de ontem, as equipes participaram de um aquecimento, quando fizeram o primeiro contato com o sistema instalado no local e realizaram alguns testes. Os 50 melhores times brasileiros - compostos por três integrantes cada - participam hoje da resolução de um conjunto de problemas que devem ser feitos em até cinco horas. De acordo com o diretor da final nacional, Jacques Brancher, professor do Departamento de Computação da UEL, os problemas são relacionados a conceitos básicos e avançados de programação e estruturas de dados.
Juliana Miranda, estudante do 1º ano do curso de Engenharia de Sistemas da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes-MG), considera que a maratona é um ''desafio''. ''Nessa competição aprendemos muito porque temos exemplos do que acontece dentro das empresas. É muito útil para complementar o que aprendemos em sala de aula'', relatou a universitária, uma das três únicas mulheres competidoras.
Leonardo Murarolli Lázaro, do 2º ano de Sistemas de Informação da Uniararas (SP), contou que sempre gostou de programação, por exigir raciocínio lógico e agilidade. ''Desde quando você começa a programar já pratica isso e a maratona ajuda a se aprofundar e a adquirir mais prática para entender os problemas'', afirmou ele, que tem expectativa de ficar entre os melhores da competição.
O mestrando em Ciência da Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Thiago Cavalcante, vê na maratona uma grande oportunidade de ingresso para o mercado de trabalho. ''Temos vários exemplos no campus de pessoas que participaram e conseguiram emprego na Google e no Facebook e isso é uma motivação extra para competirmos também.''
Para Flávio Zavan, do 3º ano de Ciência da Computação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), participar do evento é uma ''diversão''. ''Com o mínimo de estudo é fácil chegar à final, difícil é ir para a etapa mundial'', afirmou o jovem. Segundo ele, a maratona faz com que o competidor se torne um melhor programador.
Os cinco primeiros classificados vão representar o País na final Mundial do International Collegiate Programming Contest (ICPC), promovido pela Association for Computing Machinery (ACM), que será realizada no final de junho e início de julho de 2013 em Saint Petersburg, na Rússia.
''Todos os que participam do mundial ganham reconhecimento e vão conseguir, com muita facilidade, emprego nas melhores empresas de computação do mundo. São esses competidores que vão desenvolver os softwares que nós vamos usar daqui a alguns anos'', garantiu o responsável no Brasil pela competição. Já em relação aos demais estudantes que competiram a final brasileira, ele disse que também terão ofertas de trabalho em ótimas empresas no País.
A maratona é organizada, desde 2006, pela Sociedade Brasileira de Computação. Em Londrina, é promovida pelo Departamento de Computação da UEL.

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