Apucarana - Em 2001, Josley de Jesus Ribeiro, 28 anos, e a mulher Adriana, 25, decidiram mudar de vida: iniciaram vários cursos ofertados pela Escola da Oportunidade, da Prefeitura de Apucarana, e como resultado, decidiram abrir o próprio negócio, no quintal de casa. Há três anos no mercado, o casal já administra uma loja, no Terminal Urbano da cidade, onde expõe as sandálias fabricadas e pensa em expandir ainda mais os lucros.
''Trabalhava em uma loja de ferragens e, logo que fiz o curso de bonés, pensei em abrir uma facção, mas depois parti para o curso de calçados e bolsas e escolhi essa área'', recorda Ribeiro, que ainda hoje busca ajuda nos professores da Escola da Oportunidade antes de realizar investimentos em materiais e maquinários.
''Já estamos produzindo há três anos, atendendo principalmente a cidade, e temos como meta ampliar o barracão, contratar funcionários e vender em atacado'', confessa o microempresário que, com o auxílio da esposa, construiu um capital de cerca de R$ 40 mil em máquinas, matéria-prima e mercadorias e produz, em média, 30 pares de sandálias por dia.
''Ainda hoje parte do retalho do couro usado nas sandálias é doado pela Escola'', diz o empresário, que também reaproveita papelão para confeccionar os modelos e parte de pneus que compõem os solados das sandálias. ''No trabalho com retalho não se desperdiça nada e como a matéria-prima não é tão cara, o lucro com a venda das rasteirinhas chega a 60%'', ressalta Ribeiro, que tem clientes fiéis.
''Por enquanto está bom. É a melhor coisa trabalhar para si mesmo, ter autonomia. Minha vida mudou completamente. Tenho total liberdade para negociar e até já tive proposta de sociedade, mas sou pé no chão e vou devagar'', comenta Ribeiro, para quem a Escola da Oportunidade foi fundamental.
''Ter uma base, um empurrão, ajuda, pois começar do zero, sozinho, é muito difícil'', resume o empresário que, apesar de ter concluído somente o Ensino Médio, pretende continuar se capacitando para incrementar ainda mais o sustento da esposa Adriana e do pequeno Adrian, de apenas um ano.
Meta
De acordo com o coordenador da Escola da Oportunidade, Miguel Luiz Vilas Boas, o projeto criado há nove anos já capacitou mais de 9 mil pessoas de Apucarana e municípios vizinhos do Vale do Ivaí (Norte). Entre os cursos ofertados estão confecção de bonés, camisetas, jeans, couro e informática básica.
''As aulas não param e a cada dois meses são formadas novas turmas'', descreve Vilas Boas, citando que cada grupo tem, em média, 15 alunos e que as aulas acontecem de segunda a sexta, com duas horas de duração. ''Temos como meta solucionar o problema da falta da mão de obra qualificada, principalmente no setor de confecção, e gerar emprego'', justifica o coordenador.

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