É na pista de julgamento de animais, no palco dos leilões, nas salas de palestras e encontros, ou nos pavilhões da Via Rural e outros pontos do Parque de Exposições Ney Braga, em Londrina, que o produtor tem oportunidade de mostrar seu trabalho e, mais que isso, trocar informações, discutir e tomar consciência de sua importância no setor produtivo do País.
A opinião é do presidente da Sociedade Rural do Paraná, Francisco Galli. Segundo ele, a feira agropecuária, considerada a melhor do País por sua diversidade de eventos e raças de animais apresentados, é um momento de levar informações aos produtores e a oportunidade de reconhecer o trabalho que é feito no campo.
Valor reconhecido ‘‘Criar bois não é símbolo de vaidade’’, afirma. Segundo ele, a integração de pecuária e agricultura, hoje implantada especialmente no Noroeste do Paraná, como forma de recuperar as pastagens e garantir renda ao agropecuarista com a venda de produtos agrícolas, tem sido um modelo eficiente.
É somente num evento que reúne agricultores, pecuaristas, empresas privadas e de pesquisa, técnicos de assistência privada e oficial, entre outros componentes da cadeia produtiva de alimentos, acredita Francisco Galli, que se pode trocar informações e idéias, achar soluções, e saber o melhor caminho a seguir.
‘‘A feira tem caráter de festa, mas também é um local onde os produtores, que ficam ‘‘isolados’’ o ano todo em suas propriedades, podem discutir e trocar experiências viáveis para agregar valor à produção, achar nichos melhores de mercado e, consequentemente, maior rentabilidade em seus negócios,’’ comenta o presidente da Sociedade Rural do Paraná.
A agropecuária tem sido hoje um dos itens de sustentação da balança comercial do País. ‘‘Quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) vem do setor do agronegócio,’’ afirma Galli. Segundo ele, a agropecuária é assunto de ‘‘segurança alimentar, pela produção de alimentos; social, pela oferta de empregos, especialmente mão-de-obra com menor exigência de qualificação que o setor urbano e, ainda segurança econômica, já que existem condições para o Brasil tornar-se um grande exportador de alimentos, trazendo mais dinheiro para o País.’’
Na opinião do dirigente da Sociedade Rural do Paraná, da porteira para dentro ainda tem muito produtor que não reconhece sua importância e a força de pressão que pode exercer junto à sociedade. ‘‘Por mais tecnologia que o setor já domine o trabalho do homem será sempre indispensável e o desafio do futuro será a produção de alimentos. Existe cada vez menos gente produzindo para alimentar mais pessoas. E quem está no setor, produzindo, deve tornar-se cada vez mais eficiente.’’
No Brasil, de acordo com Galli, ainda não se dá o devido valor ao produtor de alimentos porque o País não enfrentou, como a Europa, períodos de escassez de comida, de guerra, quando mesmo tendo dinheiro para comprar não havia o que comprar. ‘‘Talvez aí esteja a diferença de como o produtor europeu, por exemplo, é visto, em comparação ao produtor brasileiro.’’
A dificuldade, segundo Galli, é que os produtores estão geograficamente muito distantes. ‘‘Por isso entidades como a Sociedade Rural precisam estar cada vez mais atuantes. Mas só podemos fazer alguma coisa com a presença do produtor.’’
O dirigente da Sociedade Rural explica, no entanto, que não é possível somente falar do descontentamento, a ação deve ser mais ampla e as decisões devem ser conjuntas. ‘‘O papel da SRP é centralizar essas decisões e com apoio de todos os produtores pressionar e tomar medidas.’’
Quando se tem um grupo informado, consciente de seus deveres e direitos, afirma o dirigente, há condições de pressionar a classe política e as lideranças que podem ajudar o setor agropecuário. ‘‘A exposição é também um bom momento para isso; devemos mostrar o quanto somos eficientes. A parte mais difícil é produzir. Não adianta ter usinas ou indústrias se não tiver o produtor, a matéria-prima.’’
Ameaça dos cartéis Segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná, o setor agropecuário vive hoje um momento em que existe um grande número de produtores/vendedores e um pequeno número de compradores desses produtos, entre eles o setor varejista que está altamente concentrado. Situação semelhante também acontece no setor de máquinas e insumos.
‘‘A negociação é sempre mais fácil quando se tem uma pulverização de fornecedores, o que não é o caso atual. Quando se tem indústrias de insumos que além de fornecer os produtos ainda detém a tecnologia, o produtor se vê obrigado a pagar ou a receber o que a indústria exige e depender dela. Nestes casos, a situação fica ainda mais grave.’’ A organização entre os produtores, segundo Francisco Galli, pode reduzir esta ameaça dos cartéis.

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