Oportunidade não pode ser negada o tempo todo
Aos 24 anos, L. diz que reencontrou a esperança, depois de quase 10 meses no Lar Esperança, em Cascavel. L. tem uma história dolorosa, que porém não se nega a revirar, porque acha que a partir dela pode ir para o renascimento. Ele contraiu Aids aos 13 anos, injetando cocaína, numa época em que usava qualquer tipo de droga que aparecesse, e só ficou sabendo que estava infectado quando estava em uma prisão.
L. havia sido condenado há 4 anos por roubo. Para ele, não fez diferença a informação que recebeu sobre a doença, porque o que viesse estava de bom tamanho, eu não tinha mais nada a perder. Da família e sua reação, pouco fala. Depois de ser enviado para tratamento de quatro meses em São Paulo, para eliminar o vício das drogas, e curar-se, cai na real, diz.
Para ele, é preciso que a sociedade tenha a mesma disposição, porque todos merecem uma chance. A chance pode ser principalmente em forma de trabalho, que ele diz ser negado nos locais onde se apresenta. Ninguém diz, segundo L, que é por causa da doença, por caracterizar discriminação. Mas dizem um não qualquer e depois é duro a gente ver que a vaga foi preenchida por outra pessoa.
Ele se oferece para qualquer serviço, de mecânico a repositor de mercadorias em supermercado. Roseli Vascelai, do Lar Esperança, afirma que a entidade se coloca como fiador das pessoas que atende. A doença de L está controlada, com o uso de coquetel de medicamentos, por isso ele se queixa e consegue alimentar a esperança de voltar a ter uma vida normal, através do trabalho: Estou novo ainda, só quero uma oportunidade lá fora e ela não pode ser negada o tempo todo.Edson MazzettoL, hoje com 24 anos, foi infectado quando tinha apenas 13Paulo Pegoraro





