Questões que inquietam

Autor de 12 livros, três deles sobre drogas, Içami Tiba tornou-se um dos maiores estudiosos da psiquiatria adolescente e infantil. Em entrevista à Folha e à Rádio Universidade FM, ele tratou de algumas questões que preocupam pais e educadores. Confira abaixo a opinião do médico:
LIMITES - Como um cego que vai formar capacidade de viver dentro da casa, a criança precisa ter um padrão de valores estabelecido. O maior poder que damos a um filho é o da decisão, quando ele fica sabendo o que pode e o que não pode fazer.
DROGAS - Minha esperança é que a criança bem formada saberá distinguir entre o que é bom e ruim, o que é prazeroso e desprazeroso. As crianças hoje acham que se dá prazer é bom. Estão agindo como animais. Pessoas educadas têm preparo e não vão entrar na onda só porque é gostoso ou está na moda. O tráfico existe porque há consumidores. Tráfico é questão de polícia e de política. Infelizmente a condição de saúde da política está baixa. Por isso temos que preparar os jovens para que recebam o país quase doente, injetando saúde através da entrada deles. Temos que preparar uma juventude com mais saúde porque estamos deixando uma sociedade muito doente para ela.
PAIS SEPARADOS- O problema da educação fica maior. Mas essa história de que filho que não tem pai é infeliz é baboseira porque a figura masculina não está influindo tanto na formação. Em alguns casos até acaba passando menos defeitos para a criança, dependendo do pai. Acredito que a criança encontra a identificação sexual em qualquer lugar e já está provado que não é por conviver com homem ou não que um menino será hetero ou homossexual.
HOMOSSEXUALISMO- É uma questão mais genética. Mas normalmente quando é de nascença, a coisa vem muito precoce. Antes mesmo da definição sexual a pessoa já tem tendências. E isso ela não aprendeu com ninguém. Tem famílias em que o pai é um baita machão, pendura a cueca na sala, e o filho é homossexual.
REAÇÃO DAS FAMíLIAS - O homossexualismo assusta as famílias porque elas não estão vendo a pessoa. Vêem a escolha sexual. E enquanto isso existir haverá preconceito. Tem que encarar de frente em vez de temer. Ajudar para não criar complexo. Tem que conversar, ver se identificação é essa mesmo, ir a um terapeuta. Se for isso mesmo vai enfrentar problemas da sociedade, mas não deve, por esse motivo, mudar sua opção para não ficar como adultos que têm dupla cara. Em casa é chefe de família e na rua pula cerca de costas. Que felicidade tem um homem desse tipo? Então muito melhor que assuma uma opção.

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