Embora os dados da Eletrobrás enfatizem que a queda no consumo de energia elétrica no Brasil em maio deste ano de 5,7% em relação ao mesmo mês do ano passado tenha entre as causas o racionamento iniciado em julho de 2001 e encerrado em fevereiro último, tal constatação não deixa de causar apreensão. Aliás, o próprio Departamento de Estudos de Mercado da Eletrobrás, através do seu titular Amilcar Guerreiro, admite que esta queda é também reflexo do desaquecimento da indústria brasileira, principalmente na região Sudeste.
Consequentemente, conforme se observa em reportagem publicada por este jornal na edição de domingo, o que ocorre é que o consumo brasileiro de energia está sofrendo um recuo. A previsão de consumo para 2002 é de 293,5 terawatts, parecido com o que foi registrado no ano de 1999, de 292,2 terawatts.
Do ponto de vista da economia de consumo a notícia seria satisfatória, se esse recuo fosse consequência de um plano de contenção de energia feito para criar reservas e diminuir os impactos de sua geração ao meio-ambiente. Provavelmente, um plano desses incluiria incentivos ao uso de meios alternativos que num país como este, de vasta extensão territorial e onde diversidades climáticas são abundantes. Seria este, no mínimo, o papel do governo após as lições do racionamento e dos apagões, que tiraram a tranquilidade de toda a população brasileira por longo período de oito meses.
Mas não é o que acontece, infelizmente, e daí a apreensão. A queda no consumo de energia é consequência da desaceleração da economia pois, se as indústrias do Sudeste do País estão produzindo menos, os efeitos se darão no comércio, nos serviços e na vida de todos os cidadãos, não somente desta, mas de todas as demais regiões. O desemprego e suas implicações sociais, sobretudo, aparecem como os primeiros sintomas desta situação que já é sentida por um elevado número de famílias.
A causa, por sua vez, é nítida e transparente. O Estado pecou e durante oito anos atrelou a economia do País à uma taxa oficial de inflação baixa, muito diferente do custo absorvido pelo cidadão em seu cotidiano, nas compras dos gêneros de primeira necessidade. E para manter essa taxa oficial desestimulou o investimento. Oito anos é um longo período. Não deu tempo para o governo deixar o poder para as consequências dessa política econômica regressista começarem a aparecer.

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