Operários trabalham sem equipamentos de segurança
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quinta-feira, 29 de novembro de 2001
Gilmar Agassi<bR> De Cascavel 
O Sindicato da Construção Civil de Cascavel (Sinduscon) enviou ontem representantes para visitar as obras de 480 residências do Projeto Minha Casa, da prefeitura municipal, onde centenas de pessoas trabalham irregularmente. O Sinduscon concedeu um prazo de 10 dias para que as construtoras responsáveis pelas obras repassem aos pedreiros equipamentos de segurança que possam evitar maiores danos em casos de acidentes.
O presidente do Sinduscon, Edenilso Rossi Arnaldi, explica que a fiscalização promovida pelos representantes do sindicato busca orientar as empresas que trabalham no setor sobre os procedimentos legais. ''A obrigação é do empregador e do proprietário da obra. Não pode ter nenhum trabalhador sem capacete, luva, bota, cinto de segurança. E foi exatamente isso que constatamos no local'', disse.
O subdelegado do Ministério do Trabalho em Cascavel, Nereo Muller, confirmou também ter recebido denúncia sobre as irregularidades na construção das casas. Segundo ele, ainda esta semana uma equipe do ministério estará no local. ''Se dentro do prazo estabelecido para regularização nada for feito, as empresas sofrerão autuação que pode chegar a multas elevadas'', afirma.
Para o presidente da Companhia de Habitação de Cascavel (Cohavel), Juarez Berté, a fiscalização por parte do Sinduscon deveria ser um pouco mais ''flexível''. Ele justifica que as empresas estão fazendo a obra com custo menor e não querem desrespeitar a lei. ''Já existe uma discussão no sentido de flexibilizar as leis trabalhistas. Precisa ser levada em consideração a geração de emprego'', argumenta.
Não é apenas na questão da segurança dos trabalhadores que as construtoras cometem irregularidades. Segundo levantamentos preliminares, cerca de 80% dos trabalhadores atuam na informalidade. ''A amostragem ainda é muito pequena, mas temos noção de que o número é muito alto e que chega próximo a isso'', frisa o engenheiro de Segurança do Trabalho do Sinduscon, Agnaldo Mantovani.
De acordo com ele, há três meses os sindicatos patronais e dos trabalhadores estão estudando o programa, apontando os principais problemas e delimitando as prioridades para a fiscalização.


