Entre todas as profissões exercidas no Brasil, a construção civil é a que apresenta o maior número de acidentes de trabalho. A perda de audição é um deles, comum entre os operadores de máquinas que emitem ruídos que ultrapassam os 85 decibéis, limite máximo estipulado pela leis do trabalho e da saúde. O ruído na construção civil foi o tema de uma palestra realizada ontem, em Curitiba, pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) a médicos, engenheiros e técnicos de segurança.
O médico do trabalho Osni Melo Martins, membro do Comitê Nacional de Ruído e Conservação Auditiva, diz que a maior preocupação hoje está direcionada aos profissionais que trabalham com maquita (máquina que corta azulejo e pedra), corta-ferro, serra circular, guinchos e outros equipamentos que emitem ruído.
Segundo ele, que proferiu a palestra, em Curitiba não há estatísticas que mostrem a incidência do problema entre os trabalhadores da construção civil, mas em uma pesquisa por amostragem realizada em cinco empresas da cidade, ele constatou que aproximadamente 20% dos profissionais que trabalham nessas funções apresentam deficiência na audição que pode ter sido provocada pelo ruído no trabalho.
O médico do trabalho Sérgio Espósito, que atua no Serviço Social da Indústria da Construção Civil, ligado ao Sinduscon, explica que a perda da audição surge normalmente em trabalhadores de idade avançada. A doença tem instalação lenta, progressiva, normalmente bilateral e irreversível.
Para evitar o problema, o uso do abafador de ruídos é fundamental, segundo o engenheiro de segurança no trabalho Bruno Adad. Mas, assim como há empresas que não oferecem os equipamentos de segurança, há também os funcionários que insistem em não usá-los. É o caso de Márcio da Rosa, 15 anos, que trabalha há oito meses na construção civil. Entre as várias funções do rapaz está a operação da maquita. Mesmo com o barulho, ele conta que não gosta de usar o abafador, porque ‘incomoda’.

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