Operários também sofrem sem salários
Centenas de operários da construção civil no Paraná aguardam na Justiça do Trabalho uma decisão para tentar receber os salários da Encol. Curitiba e Londrina centralizam a maior parte das reclamatórias. Estimativas não oficiais apontam que o contingente de trabalhadores que levou calotes da construtora chegue a 500 nas duas cidades.
O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Curitiba representa 55 ações trabalhistas que estão em fase final de tramitação. O número de ações é pelo menos três vezes maior, pois muito trabalhador constituiu advogado particular, diz o secretário de imprensa do sindicato, Domingos Oliveira David. A decretação da falência da Encol não é bem vista pela categoria. Se isso acontecer, será ruim porque um representante será nomeado pela Justiça para administrar a massa falida da empresa, sem que esses bens possam ser penhorados, explica David.
Em Londrina, conforme o presidente do sindicato dos trabalhadores da cidade, Denílson Pestana, cerca de 200 trabalhadores aguardam uma definição judicial para receber os salários atrasados. A dívida salarial aproximada é de R$ 400 mil. O sindicalista cita que até numa eventual penhora de bens da Encol os trabalhadores podem ter complicações.
A empresa indica um bem para penhorar, mas o juiz não consegue executar este bem, porque ele será penhorado entre diversas pessoas, exemplifica Pestana. Nas regiões Norte e Oeste do Estado, 15 empreendimentos da Encol estão inacabados. Oito estão em Londrina e o restante espalhado pelas cidades de Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel.
Tanto Domingos David, como Denílson Pestana, são unânimes. Eles estão recorrendo até a última instância, afirma David. Pestana diz que os advogados da Encol recorreram a Curitiba em relação às ações ganhas pela Justiça em Londrina e outras cidades. Isto é estratégia para ganhar tempo, considera Pestana. Domingos David observa que os trabalhadores foram os mais prejudicados com a quebradeira da Encol. O mutuário ainda tem onde se agarrar, mas e o trabalhador como é que fica?, pergunta. (D.V.)





