Para denunciar irregularidades no canteiro de obras da Volkswagen/Audi, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR), em conjunto com sindicatos de várias categorias, realizou ontem um ato público, na Boca Maldita, centro de Curitiba. Com faixas e nove caixões colocados na calçada, o protesto aconteceu ao mesmo tempo em que a fábrica era inaugurada em São José dos Pinhais.
Além de lembrar a falta de segurança, os manifestantes afirmaram que o desrespeito aos direitos trabalhistas também é comum nas empreiteiras e sub-empreiterias da montadora. Até ontem, continuava o embargo parcial da empreiteira Walter Torre Júnior, responsável pela construção do Parque Industrial de Curitiba, que vai abrigar 13 fornecedores da fábrica alemã.
O bacharel em Direito André Passos, que entrou, no mês passado, com a representação na Procuradoria do Trabalho pedindo vistoria dos trabalhos, diz que durante a fiscalização foi possível detectar várias irregularidades. Entre elas estão atrasos de pagamentos, falta de registro em carteira e o não-pagamento de verbas rescisórias. Além disso, a Procuradoria registrou oficialmente a morte de oito operários em acidentes de trabalho, sendo dois na Walter Torre Júnior.
Para Passos, a Audi e o governo do Estado são responsáveis por todos os problemas que vêm sendo detectados na instalação da montadora. ‘‘Por isso, achamos que eles devem se manifestar’’.
Na Walter Torre, o Ministério do Trabalho mantém o embargo em duas das sete caixas de água que estão sendo construídas. A liberação dos equipamentos depende da instalação completa de protetores nas escadas que dão acesso à parte superior da obra. Até ontem, a empresa paulista não havia comunicado o reparo, segundo Sérgio Silveira de Barros, chefe do Setor de Segurança e Saúde do Trabalhador do Ministério do Trabalho. Amanhã, o ministério fará duas reuniões com os operários da Walter Torre e dirigentes da Audi. Na sexta-feira, será a vez dos empregados da montadora, que passarão por treinamento de medidas de segurança no trabalho.Marcelo AlmeidaCaixões foram espalhados na Boca Maldita para denunciar mortes causadas pela falta de segurança no canteiro de obras da Audi, inaugurada ontem, em Curitiba. Uma das sub-empreiteiras ainda tem setores embargados pelo Ministério do TrabalhoAdriana Ribeiro

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