Operários paralisam mais uma obra pública
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sábado, 26 de janeiro de 2008
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Os operários que trabalham na construção de um conjunto habitacional no final do conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina) aguardavam a liberação do pagamento do vale até o final da tarde de ontem para só então retomar o trabalho na segunda-feira. A paralisação começou na quinta-feira, motivada pelo não-pagamento do vale (adiantamento do salário) no dia 20, e das horas-extras desde outubro.
Em reunião realizada anteontem entre o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria, Construção e Mobiliário de Londrina, Cohab e a empresa 3 O, responsável pela obra, ficou acordado que o vale seria pago em cheque ainda ontem e as horas extras, até a próxima sexta-feira. ''Se não recebermos na sexta, faremos uma nova paralisação'', adiantou o operário Eduardo da Rocha Vaz.
Segundo os trabalhadores, alguns dias de atraso no pagamento já implicam em vários problemas. ''Atrasa o pagamento das prestações e das contas. A Copel e a Sanepar não esperam igual a gente na hora de cortar a luz e a água'', comentou Elias Machado do Santos.
As condições de trabalho também foram motivo de reclamação por parte dos operários, que pedem botinas novas, melhorias no refeitório e nos banheiros e caixa de primeiros-socorros. ''Nós já solicitamos uma fiscalização do Ministério do Trabalho'', afirmou José Fernandes Paião, vice-presidente do sindicato.
A reportagem contatou a empresa 3 O, mas foi informada de que a única pessoa que poderia conversar com a imprensa estava viajando, e que o responsável pelo setor de Recursos Humanos estava em consulta médica, e por isso não era possível informar quantos funcionários trabalham na obra. Os operários informaram que seriam em 80. A obra foi iniciada há um ano, e prevê a construção de 116 casas populares (em fase de conclusão) e mais de 100 apartamentos.
Outros casos - Esta é pelo menos a quarta obra pública a enfrentar problemas referentes ao atraso no pagamento de salários em Londrina nos últimos meses. O caso mais grave foi do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), cujo contrato precisou ser rescindido e as obras permanecem paradas até que uma nova empresa assuma.
Os operários da reforma e ampliação dos hospitais da Zona Norte e Zona Sul também chegaram a ficar mais de 20 dias parados. ''Fomos negociar na sede da empresa, em Astorga, e recorremos até à Secretaria Estadual de Obras, onde descobrimos que faltavam alguns documentos por parte da empresa para que o dinheiro fosse liberado'', explicou Paião. Neste caso, o problema ainda não se resolveu por completo, e os funcionários também não receberam o vale do dia 20. ''A firma conversou com os operários e combinou que o pagamento deste mês seria feito a partir do dia 1º'', relatou. Paião contou que apenas a questão das obras dos Correios, que também enfrentou uma pequena paralisação, está solucionada.


