Operários oferecem serviço através de ONG
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sexta-feira, 03 de junho de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Nereu Pereira, 25 anos, Gilberto Vergínio Rosa, 45, Carlos José Cardoso, 46, e Antônio Gomes da Silva, 52. Todos moradores de Londrina, todos com experiência em serviços de construção, de roçagem, e daquele ''um pouco de tudo'' que os trabalhadores têm de saber para sobreviver nos dias de hoje.
Há cerca de dois meses, os quatro descobriram que podiam se sair melhor no mercado de trabalho unindo forças, ao invés de buscar vaga numa firma ou partir para o serviço autônomo individual. Formaram uma Organização Não-Governamental (ONG) cujo nome diz tudo: ''Solução''. É um exemplo de como os trabalhadores podem deixar de se lamentar e tentar superar - ou, pelo menos, atenuar - a eterna crise social e econômica brasileira.
A reportagem da Folha conversou ontem com o grupo, que não quis tirar folga no feriado. Numa pequena pausa nas obras de uma residência no Jardim São Thomás (Zona Oeste), eles explicaram as vantagens dessa forma de organização de trabalho que ainda é novidade para a maioria dos londrinenses, especialmente em funções como a de pedreiro.
''Você é quem manda no seu serviço. Entre nós, temos abertura para conversar, discutir na hora de receber. Não tem jeito: se você trabalha de empregado, você é explorado'', diz Pereira, presidente da Solução. Foi ele quem buscou orientação na Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para montar a ONG, e ''vendeu'' a idéia para os três colegas. ''Trabalhando dessa forma, você faz com mais vontade, mais prazer. Nosso único compromisso é agradar o cliente. Meu escritório é minha agenda e meu celular'', completa.
A exemplo de outras ONGs, a Solução começou firmando parceria com a Codel e a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) para ajudar a dar conta da enorme demanda por roçagem em terrenos da cidade. Segundo Pereira, o grupo recebe mapas da CMTU e identifica os pontos onde o serviço é necessário. ''Entramos em contato com os proprietários de terrenos particulares e oferecemos nosso serviço. Se eles aceitam, pagam direto para nós. É bom pra gente e para o cliente, que não leva uma multa'', diz. O grupo já roçou mais de 50 terrenos em diversos bairros.
Os trabalhos em construção surgiram para viabilizar as atividades no inverno, já que nessa época do ano o mato cresce menos, explica o presidente da ONG. ''Todos nós já tínhamos alguma experiência, uns como pedreiros, outros como auxiliares. Só que estava difícil trabalhar com carteira assinada, com tanta firma fechando'', salienta Gilberto Rosa. O trabalho em grupo agradou o instrutor de informática Mauro Fragoso, 45 anos, dono da casa que o quarteto estava ampliando ontem. ''Procurei o Gilberto, porque já tinha uma referência. Foi melhor que ele tenha vindo com amigos, pois não precisei sair caçando outras pessoas. O importante é isso: fazer parceria, trabalhar sério e ter um preço camarada'', opinou o cliente.
Pereira afirma que a ONG quer se expandir e agregar pelo menos 20 pessoas. ''Nós visamos a economia solidária. E empregando mais gente, podemos expandir nossa estrutura'', justifica. A partir do próximo mês, além de roçagem e construção, o grupo pretende iniciar plantações em terrenos. Diversificar serviços e relações de trabalho está se tornando uma regra.
Serviço: Interessados em contratar serviços ou juntar-se à ONG Solução podem entrar em contato pelos telefones: 3357-0327 e 9128-1631.


