Operários mortos não usavam equipamentos, assegura delegado
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segunda-feira, 13 de agosto de 2001
Edna Mendes<BR>De Londrina 
O delegado de Cambé (13 km de Londrina), Antonio do Carmo, afirmou ontem que a polícia já constatou que os dois operários que morreram asfixiados, na sexta-feira, em um silo de soja da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol) não usavam os equipamentos de segurança porque o material não estava disponível na unidade de armazenamento. A direção da cooperativa refutou a afirmação do delegado e garantiu que os equipamentos estavam no local, mas alegou não saber por que os dois operários não seguiram as normas de segurança que obriga o uso deles.
A polícia já abriu inquérito para apurar as mortes de Aparecido Rodrigues dos Santos, 40 anos, e Edivaldo Francisco Pereira, 35 anos. Funcionários e a direção da cooperativa ainda não foram convocados para depor. A principal testemunha do acidente, Damião Fernandes, que estava junto com as vítimas, deve ser ouvida nesta semana.
Segundo o delegado, a perícia inicial feita no silo comprovou que os equipamentos não estavam no local. ''Não há muito o quê apurar. Já sabemos que houve negligência, que é um ato culposo por parte da cooperativa. Temos apenas que identificar os responsáveis pelas mortes'', disse.
O presidente da Corol, Eliseu de Paula, discordou das declarações do delegado porque, segundo ele, a empresa se preocupa com a segurança de seus funcionários. De acordo com o presidente, a cooperativa tem à disposição um engenheiro de segurança do trabalho e segue as normas determinadas pela Comissão Interna de Prevenção de Acidente (CIPA). ''Temos certeza que os equipamentos estavam no silo porque os bombeiros utilizaram eles para resgatar os corpos.''
Eliseu de Paula disse que a empresa também iniciou uma investigação paralela. ''Queremos saber por que eles não estavam com os equipamentos. Temos a versão do encarregado pelo setor, mas não vamos divulgá-la antes da conclusão de nossos levantamentos sobre o acidente'', afirmou.
Um dos operários mortos, Edivaldo Pereira, era contratado pela Labor Trabalhos Temporários. Ele tinha dois filhos e estava em seu segundo dia de trabalho na cooperativa quando morreu. Aparecido dos Santos, tinha quatro filhos e havia sido efetivado há um mês. O laudo do Instituto de Criminalística sobre o acidente deve ser concluído em aproximadamente 15 dias.


