Simone GirotoOciosidadeFalta de verbas impede instuição de demitir operários por causa dos acertos trabalhistasCAMPO MOURÃO - A Santa Casa de Campo Mourão está gastando por mês cerca de R$ 5 mil para pagar os salários de 15 operários que há cinco meses não têm o que fazer. Eles trababalham nas obras da chamada ‘‘Nova Santa Casa’’, um hospital para 320 leitos que começou a ser construído há sete anos, mas que emperrou na falta de verbas. O material de construção terminou em outubro e a instituição não tem recursos para pagar os acertos trabalhistas dos operários.
‘‘Não não outra saída’’, diz o presidente da Santa Casa, Dilmar Daleffe. ‘‘Não deveria ser assim, mas não temos dinheiro’’. Para amenizar o drama, a instituição vem emprestando os funcionários para terceiros realizarem serviços. ‘‘Isso nos ajuda a pagar a folha dos operários, mas não resolve o problema’’, ressalta o presidente. A esperança dele agora está na liberação de R$ 500 mil previstos no Reforsus, o que daria para reiniciar a obra.
Em 96, Daleffe ficou o tempo todo esperando a liberação de R$ 1,4 milhão previsto no orçamento do Estado e de outros R$ 3 milhões prometidos pelo Ministério da Saúde. Nem a visita do então ministro Adib Jatene às obras paralisadas, no entanto, foi suficiente para sensibilizar o governo. Os trabalhos seguiram em ritmo lento até outubro, quando pararam de vez. Em sete anos, a obra foi erguida basicamente com doações, num investimento de cerca de R$ 2,5 milhões.
Esquisito ‘‘Nunca passei por uma situação dessas’’, conta o pedreiro João Mendes da Silva, 39 anos. Ele trabalha na construção civil há nove anos, seis dos quais na Santa Casa. ‘‘É esquisito receber sem trabalhar’’, diz. ‘‘Devo estar fora de forma’’, brinca Carlos Alberto de Souza, 31 anos, há 11 na construção civil. O salário médio entre eles é de R$ 250,00.
Apesar de não precisarem trabalhar, o clima na obra não é de tranquilidade. Os operários temem que também falte dinheiro para a instituição pagar seus salários. ‘‘Enquanto estivermos recebendo, está bom’’, diz Sebastião Martins, 45. Ele trabalha há 17 anos na construção e nesse tempo já ficou sem trabalhar em algumas empresas por 15 dias, mas nunca por cinco meses. ‘‘Tanto tempo assim é a primeira vez’’.
Só promessa Se os R$ 3 milhões prometidos pelo Ministério da Saúde e os R$ 1,4 milhão incluídos no orçamento do Estado em 96 tivessem sido liberados, a Santa Casa já poderia estar concluindo a primeira etapa das obras, com 100 leitos. Ainda assim, faltariam cerca de R$ 8 milhões para equipar o hospital, incluindo o centro cirúrgico e uma unidade de terapia intensiva (UTI). O presidente da Santa Casa, Dilmar Daleffe, reclama da falta de mobilização da região em defesa da obra. ‘‘Assistimos tudo em banho-maria’’, diz.

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