Operários esperam material há 5 meses para concluir hospital
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sábado, 29 de março de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Simone GirotoOciosidadeFalta de verbas impede instuição de demitir operários por causa dos acertos trabalhistasCAMPO MOURÃO - A Santa Casa de Campo Mourão está gastando por mês cerca de R$ 5 mil para pagar os salários de 15 operários que há cinco meses não têm o que fazer. Eles trababalham nas obras da chamada Nova Santa Casa, um hospital para 320 leitos que começou a ser construído há sete anos, mas que emperrou na falta de verbas. O material de construção terminou em outubro e a instituição não tem recursos para pagar os acertos trabalhistas dos operários.
Não não outra saída, diz o presidente da Santa Casa, Dilmar Daleffe. Não deveria ser assim, mas não temos dinheiro. Para amenizar o drama, a instituição vem emprestando os funcionários para terceiros realizarem serviços. Isso nos ajuda a pagar a folha dos operários, mas não resolve o problema, ressalta o presidente. A esperança dele agora está na liberação de R$ 500 mil previstos no Reforsus, o que daria para reiniciar a obra.
Em 96, Daleffe ficou o tempo todo esperando a liberação de R$ 1,4 milhão previsto no orçamento do Estado e de outros R$ 3 milhões prometidos pelo Ministério da Saúde. Nem a visita do então ministro Adib Jatene às obras paralisadas, no entanto, foi suficiente para sensibilizar o governo. Os trabalhos seguiram em ritmo lento até outubro, quando pararam de vez. Em sete anos, a obra foi erguida basicamente com doações, num investimento de cerca de R$ 2,5 milhões.
Esquisito Nunca passei por uma situação dessas, conta o pedreiro João Mendes da Silva, 39 anos. Ele trabalha na construção civil há nove anos, seis dos quais na Santa Casa. É esquisito receber sem trabalhar, diz. Devo estar fora de forma, brinca Carlos Alberto de Souza, 31 anos, há 11 na construção civil. O salário médio entre eles é de R$ 250,00.
Apesar de não precisarem trabalhar, o clima na obra não é de tranquilidade. Os operários temem que também falte dinheiro para a instituição pagar seus salários. Enquanto estivermos recebendo, está bom, diz Sebastião Martins, 45. Ele trabalha há 17 anos na construção e nesse tempo já ficou sem trabalhar em algumas empresas por 15 dias, mas nunca por cinco meses. Tanto tempo assim é a primeira vez.
Só promessa Se os R$ 3 milhões prometidos pelo Ministério da Saúde e os R$ 1,4 milhão incluídos no orçamento do Estado em 96 tivessem sido liberados, a Santa Casa já poderia estar concluindo a primeira etapa das obras, com 100 leitos. Ainda assim, faltariam cerca de R$ 8 milhões para equipar o hospital, incluindo o centro cirúrgico e uma unidade de terapia intensiva (UTI). O presidente da Santa Casa, Dilmar Daleffe, reclama da falta de mobilização da região em defesa da obra. Assistimos tudo em banho-maria, diz.


