Oito funcionários contratados pela empresa Engrenagem Construções e Empreendimentos Ltda, de Cascavel, reclamam que foram obrigados a assinar a rescisão de contrato, mas não receberam o dinheiro do acerto. Eles contam que foram contratados para prestar serviço à Sanepar em Londrina e desconfiam que alguém embolsou o dinheiro do acerto. A empresa de Cascavel afirma ter documentos provando que tudo foi pago conforme a lei.
Os funcionários estiveram ontem de manhã na Folha, para denunciar o caso. Segundo eles, a Engrenagem repassa o dinheiro à ADT Projekto Engenharia Civil Ltda, de Astorga, que é a responsável pelo pagamento dos trabalhadores. Eles explicam que foram contratados em maio deste ano como auxiliares de manutenção para efetuar cortes e religações de água. O salário é de R$ 480,00.
Ainda de acordo com os funcionários, eles foram procurados pela empresa Projekto para assinar a rescisão no dia 11 de novembro. Os representantes da empresa teriam alegado que todos os anos ganham a licitação da Sanepar e que se eles quissessem garantir o trabalho para o próximo ano, deveriam efetuar a rescisão. ‘‘Eles falaram que se não assinássemos, teríamos que entrar na Justiça para receber o acordo e, além disso, ficaríamos sem serviço’’, observa Sérgio Aparecido Romero. O grupo de demitidos conta que a rescisão foi oferecida individualmente e que eles receberiam R$ 1.500,00.
O último contato dos funcionários com a empresa aconteceu no início deste mês. Carlos Alberto Strelling Teixeira, um dos demitidos, conta que a empresa se comprometeu a pagar até o dia 20 deste mês, o que não aconteceu.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil, Denilson Pestana, diz que o sindicato entrou em contato com a Engrenagem e recebeu a informação de que o dinheiro foi repassado. Por isso, os funcionários desconfiam que o dinheiro do acordo ficou com a Projekto. Pestana conta que, na terça-feira, falou com o engenheiro Antônio Dimas, da Projekto. ‘‘Ele falou que pagou o pessoal’’, relata.
Maria Inês Adriana, que trabalha no setor de Recursos Humanos da Engrenagem, confirma que o dinheiro foi repassado à empresa de Astorga. Ela diz possuir toda a documentação provando que tudo foi feito legalmente - como holerites, cartão-ponto e contrato de admissão e demissão.
Maria Inês observa que se os funcionários se sentiram coagidos, deveriam ter procurado a Justiça imediatamente. ‘‘Por que eles estão reclamando só agora, dois meses depois que aconteceu a rescisão?’’, questiona.
O engenheiro Antônio Dimas explica que a sua empresa não tem nenhuma ligação com a de Cascavel. Mas observa que ele, como profissional, foi contratado para auxiliar a Engrenagem na administração do serviço em Londrina. O engenheiro diz estranhar a reclamação dos trabalhadores e não sabe o motivo deles terem procurado a imprensa. ‘‘Se houve falha nossa, eles deveriam ter ido ao Ministério do Trabalho’’, relata.
Antônio Dimas explica que a rescisão de contrato foi efetuado em novembro por causa do término do serviço. ‘‘Não tinha como aproveitá-los em outro serviço’’, conta. Segundo ele, foram feitas 13 ou 14 rescisões de contrato e tudo foi pago na época: ‘‘Eles sabem que receberam e estão agindo de má-f钒.

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