Cerca de 500 funcionários da Itaipu Binacional protestaram ontem contra as normas de segurança da usina na morte do técnico de manutenção João Antônio de Souza, 38 anos, em Foz do Iguaçu. O operário foi vítima de uma descarga elétrica de 66 mil volts (66 kV) na sexta-feira enquanto trabalhava na subestação de apoio do lado paraguaio. Ele chegou a ser socorrido, mas morreu no dia seguinte com mais de 80% do corpo queimado.
O grupo bloqueou o portão de entrada da usina durante uma hora, impedindo a passagem de veículos de servidores e visitantes. O presidente do Sindicato dos Eletricitários de Foz (Sinefi), Assis Paulo Sepp, acusou falta de controle das normas de seguraça da usina. ''Nós não vamos aceitar jamais que o trabalhador perca a vida e isso seja considerado uma fatalidade. Houve, sim, um erro'', disse o sindicalista.
Em nota oficial, a diretoria da Itaipu Binacional diz lamentar ''profundamente'' o falecimento do técnico. Segundo a usina, a área onde o serviço estava programado foi desenergizada conforme as normas de segurança. O acidente teria ocorrido ''num setor próximo onde não haveria serviços de manutenção e era mantida a corrente elétrica''. Souza estava acompanhado do empregado Paulo Calegaro e do estagiário de eletrotécnica Adilson da Silva.
Logo após ao acidente, a vítima foi encaminhada ao Hospital Costa Cavalcanti, em Foz, e posteriormente ao Hospital Evangélico, em Curitiba, especializado em atendimento a queimados. O sepultamento aconteceu no Cemitério Jardim da Saudade II, em Pinhais, região metropolitana de Curitiba. De acordo com a hidrelétrica, o serviço social está prestando assistência à família.
A Diretoria Técnica da Itaipu Binacional abriu sindicância para ser encaminhada à área de segurança de trabalho. Também convocou uma reunião extraordinária da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa). O Ministério do Trabalho e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) devem acompanhar a investigação policial.

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