Operários conseguem bens de empresa
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sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Milton DóriaCooperativaFuncionários da retífica Metrópole mostram maquinário arrestado pela Justiça: eles ficarão responsáveis pelos equipamentosDez funcionários da retificadora Metrópole, localizada na vila Casoni, zona leste de Londrina, conseguiram na Justiça o arresto de todas as máquinas que operavam na empresa. A liminar foi concedida no dia 6 pela 3ª Junta de Conciliação e Julgamento do Ministério do Trabalho, através da juíza Neide Akiko Fugivala Pedroso. Mas somente na terça-feira alguns equipamentos foram entregues. O valor das máquinas é de aproximadamente R$ 75 mil, equivalente ao que a empresa devia aos funcionários em salários, férias, 13º, fundo de garantia etc.
Os equipamentos são soldas, prensas, furadeiras, plainas, tornos, retífica de biela - todos utilizados no conserto de motores de carros e caminhões. Agora, a intenção dos funcionários é montar uma cooperativa e dividir os lucros entre os trabalhadores. Ontem pela manhã, na vila Iara (zona leste), eles realizaram a primeira reunião para tratar do projeto.
O grupo também alugou um imóvel na vila Iara (zona leste), junto a uma oficina mecânica, para começar a trabalhar. Mas, para o ano que vem, eles devem se transferir para um local maior e mais adequado. Não dá para saber quanto a cooperativa pode render para cada um. Mas acho que em seis meses de trabalho já dá para fazer um balanço, observa o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina, Sebastião Raimundo da Silva.
O sindicalista explica que há mais de um ano a empresa vinha apresentando dificuldades financeiras e estava inadimplente com os funcionários. Foram feitas diversas reuniões no Ministério do Trabalho, para tentar encontrar uma solução, mas nenhum acordo foi fechado. Os funcionários chegaram até a propor uma parceria com a empresa, dividindo lucros, mas a proposta não foi aceita.
No final de outubro, quando os salários estavam atrasados quase dois meses consecutivos, os funcionários entraram com o pedido de liminar na Justiça do Trabalho, que foi concedida no começo de novembro. Até o último sábado, no entanto, o dono da retífica ainda não tinha sido citado. Resultado: na noite de sábado para o domingo, segundo o sindicalista, a empresa colocou os equipamentos num caminhão e os levou para Rolândia.
Sebastião da Silva diz que o sindicato descobriu onde estavam os equipamentos e o juiz concedeu carta precatória para que eles finalmente fossem entregues aos trabalhadores. Essa foi a primeira vez que empregados ficam como depositários fiéis das máquinas, comemora o presidente do sindicato. Eles podem até cassar a liminar, mas para isso terão que pagar tudo o que devem. Assim o direito do trabalhador fica assegurado.
A empresa tem até o dia 24 para pagar a dívida trabalhista, inclusive porque fechou as portas e demitiu todos os funcionários. Caso não pague até lá, os funcionários já começam a operar os equipamentos. Se a a gente conseguir vai melhorar muito. Máquina tem, funcionário tem, então é só administrar direito, aponta Benedito Gaspar Daniel, 28 anos de idade e 11 anos de empresa.
O torneiro mecânico Antônio Striguetta, 54 anos e 10 de firma, concorda com o colega. Lá a gente vivia recebendo atrasado. Tem gente com dois e até três férias atrasadas, diz. Ele conta que foi mandado embora da empresa mesmo tendo estabilidade por ser diretor do sindicato da categoria. Já estavam faltando coisas em casa, por causa dos atrasos.
O mecânico de linha Benedito Ribeiro Oliveira, 39 anos, conta que há três anos trabalhava na retífica e neste período não recebeu dinheiro das férias. Situação mais curiosa foi de José Cícero dos Santos, 46 anos, que acumulava as funções de zelador e segurança. Ele diz que entrou em férias mas teve que trabalhar como guarda da empresa em todos os finais de semana, ou seja, os quatro sábados e os quatro domingos do mês. E ainda por cima não recebi, acusa o ex-funcionário.
A Folha tentou entrar em contato com algum diretor da retificadora Metrópole, para saber se a empresa ia recorrer da decisão da Justiça. Mas os dois telefones da empresa estavam desligados.


