Operário não consegue mais trabalhar
O metalúrgico João Edson Basílio, de 46 anos, trabalhou durante 13 anos numa empresa de produção de carrocerias na Cidade Industrial de Curitiba e disse que foi demitido há cinco anos sem qualquer explicação concreta. Eles disseram que precisavam enxugar o quadro de funcionários e eu fui um dos demitidos, contou. Os médicos confirmaram que ele havia perdido 45% da audição e ele começou a receber um abono salarial de R$ 130,00 do INSS. Por causa da minha falta de audição e da idade, eu não consegui trabalho em lugar algum, reclama. De acordo com Basílio, todas as empresas procuradas rejeitaram a hipótese de contratação logo na primeira entrevista.
Basílio é casado e sustenta a mulher e três filhos. Sem conseguir emprego, ele vive com o dinheiro recebido pelo INSS e do aluguel de uma casa, nos fundos do terreno onde ele mora. Ao todo, são R$ 230,00 mensais. Para complementar, ele disse que tem desafiado os fiscais da prefeitura, vendendo doces e salgados em colégios e terminais da região. Ontem mesmo apreenderam toda a minha mercadoria, contou o metalúrgico.
O processo do metalúrgico contra a empresa está tramitando na justiça há cinco anos. Eles sempre recorrem da sentença, apesar de eu ter vencido a causa em todas as instâncias, contou. O caso de Basílio é apenas um das centenas registradas anualmente no sindicato dos Metalúrgicos. Manalla disse que todas as causas são ganhas, mas dificilmente o beneficiado acaba recebendo em vida. Muitas vezes a gente ganha a causa na justiça, mas a empresa alega que não tem como pagar e demora mais quatro a cinco anos para fazer o pagamento do benefício, afirmou.
Audiologia - Para fazer a conscientização de empresas e trabalhadores, o Instituto Paranaense de Fonoaudiologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC) resolveu criar um serviço de audiologia ocupacional. As empresas são visitadas por alunos da Universidade, que faz testes gratuitos e orienta os funcionários. As perdas auditivas raramente são percebidas no início, por isto resolvemos atuar na prevenção destas patologias, explicou a professora Leomara Guarneri, diretora do Instituto.





