Operário morre soterrado em Londrina
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segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Um operário que abria uma vala para construção de galeria para escoamento de água da chuva morreu na tarde de ontem, na Zona Leste de Londrina, após ser soterrado. Luis Carlos Ramos, 48 anos, estava em seu primeiro dia de trabalho. Para a Polícia Científica, houve falha do responsável pois não havia escoras laterais no buraco de mais de três metros de profundidade e o trabalhador não usava capacete. A obra é municipal e a licitação foi vencida pela Paviservice, de Curitiba. A suspeita é de que a empresa teria sub-empreitado o serviço.
O desabamento aconteceu por volta das 16 horas, na Rua Dionízio Pereira de Castro, na Vila Izabel. Um grupo de operários abria um buraco com cerca de três metros para colocação de manilhas, quando uma das paredes laterais desabou e soterrou Ramos. Um segundo operário que trabalhava no mesmo local conseguiu escapar.
Conforme relato de testemunhas, os trabalhadores teriam ficado apavorados e tentaram usar uma máquina escavadeira para salvar o colega de trabalho. No entanto, o trabalhador não resistiu. O sargento Cláudio Bispo dos Reis, do Corpo de Bombeiros, contou que quando o médico chegou ao local o operário já havia falecido. Além da pressão da terra, a causa mais provável da morte foi um ferimento profundo na cabeça que provocou até exposição de massa encefálica. Nenhum familiar do trabalhador compareceu ao local do acidente e a reportagem não conseguiu apurar se alguem da família havia sido informado sobre o óbito.
De acordo com o perito da Polícia Científica, Luis Carlos Kovacs, o ferimento pode ter sido provocado ou pela pá da máquina ou por alguma ferramenta como enxada ou picareta. O perito afirmou que a falta de escoramento lateral e a falta de capacete de proteção individual concorreram decisivamente para a morte de Ramos. ''Faltou segurança para ele'', atestou o perito. O laudo com as conclusões definitivas sobre o acidente deve ficar pronto em até 10 dias.
No local, alguns companheiros de trabalho de Ramos comentaram que estariam ligados à empreiteira Itajui. O secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, esteve no local e evitou fazer comentários antes da conclusão do trabalho de perícia. Ele classificou a morte como fatalidade e lembrou que a galeria faz parte da obra de pavimentação de algumas ruas no bairro. ''Infelizmente aconteceu essa fatalidade numa obra importante para a região'', observou Freitas. Conforme o secretário, a licitação para execução do serviço foi vencida pela Paviservice. Os trabalhos teriam começado há cerca de 15 dias e este era o primeiro dia de serviço do operário morto.
Um representante da Paviservice que estava no local foi procurado pela reportagem mas não quis atender a imprensa. A reportagem também tentou contato por meio de um telefone fornecido pela Secretaria Municipal de Obras mas a pessoa que atendeu informou que o número chamado não seria da empreiteira.


