Operário morre esmagado por estrutura metálica
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segunda-feira, 09 de maio de 2005
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Um operário morreu após ser esmagado pela passarela de um silo, ontem à tarde, em Londrina. Vagner da Silva Lúcio, que completaria 23 anos hoje, trabalhava na montagem da estrutura metálica de uma empresa que contratou a empreiteira Lucílio Lúcio, pertencente ao pai da vítima, para realizar o serviço. A empresa fica no Jardim Rosicler, na Zona Oeste da cidade.
Segundo o perito criminal Daniel Filipeto, da Polícia Científica, os braços de apoio que deveriam sustentar a passarela não suportaram o peso e cederam. ''Pelo que levantamos, a estrutura já estava colocada e soldada. Os trabalhadores se preparavam para descer quando o acidente aconteceu'', revelou.
Testes científicos serão realizados para identificar a causa da falha. O exame inclui um teste de resistência de materiais, realizado em um fragmento da estrutura. Um silo semelhante, instalado no local pela mesma empresa, seria interditado para que os policiais checassem suas condições de segurança. ''Investigaremos se as normas técnicas foram obedecidas'', explicou. Os resultados dos testes sairão em 30 dias.
O resgate do corpo do operário começou pouco antes das 15 horas. Até às 17 horas, os bombeiros ainda não tinham conseguido tirar o corpo do silo que tem capacidade para cinco mil toneladas de grãos. O subtenente André Vicente dos Santos, do Corpo de Bombeiros, explicou que uma maca de resgate seria utilizada no trabalho. A técnica para descer o corpo é semelhante à utilizada no rapel (descida por cordas). ''Se a vítima estivesse com vida, utilizaríamos menos equipamentos para apressar o processo. Como não tem mais jeito de salvá-lo, aplicamos todas as medidas de segurança para não colocar a equipe em risco'', esclareceu.
De acordo com o gerente da empresa Armazenagem, Transporte e Transbordo (ATT), Sérgio Bonacielli, o silo estava sendo montado há um mês. A previsão era que o trabalho fosse concluído no final de junho. Ele informou que o contrato firmado com a empreiteira exigia a utilização de equipamentos de segurança. ''Checamos o cumprimento dessa norma com regularidade'', esclareceu o gerente, que afirmou estar chocado com o acidente. ''Não sabemos quais as providências que serão tomadas. Por enquanto, estamos apoiando a família'', disse.
Muito abalado pela morte do filho, Lucílio Lúcio, dono da empreiteira, permaneceu dentro da sede da ATT durante o resgate do corpo. Vagner, que era casado e tinha uma filha de três anos, trabalhava na montagem de silos com seu pai há aproximadamente um ano.
O operário Antônio da Silva, 44 anos, montava a passarela com a vítima quando o acidente aconteceu. ''Trabalho nesse setor há 16 anos. Nunca vi uma situação como essa'', disse. Em choque por ter assistido à morte do colega, ele não se lembra de detalhes do acidente, nem como desceu do silo. ''Estou muito assustado. Podia ter sido eu''.


