Umuarama - O operário Selmo José Miranda Corrêa, 23 anos, morreu durante um acidente no final da terça-feira nas obras da ponte sobre o Rio Ivaí, entre Tapira e Santa Mônica, no Noroeste do Estado. O andaime onde quatro operários trabalhavam desabou e três deles caíram de uma altura de aproximadamente 40 metros. Corrêa caiu sobre uma plataforma flutuante utilizada para transporte de material que estava ancorada ao lado do pilar da ponte e teve traumatismo craniano. Os outros dois caíram na água e conseguiram nadar até a margem.
Operários que testemunharam o acidente contaram que um dos perfilados de ferro que sustentavam o andaime entortou, talvez por excesso de peso. Os cabos de aço escorregaram virando o andaime. Parte da estrutura desabou junto com os operários. Os empregados estavam com cinto de segurança, mas o equipamento não estaria preso à estrutura. O corpo de Corrêa foi localizado ontem de manhã pelo Corpo de Bombeiros de Umuarama e retirado da água pelos próprios colegas de trabalho. Cerca de 40 pessoas trabalham na construção da ponte, iniciada há cinco anos pela empreiteira Arteleste, de Curitiba.
Os operários reclamaram da falta de segurança nas obras, mas não querem se identificar temendo perder o emprego. O irmão de Corrêa, Sérgio Luiz Miranda, disse à Folha que as condições de trabalho da Arteleste sempre foram precárias. Em setembro de 1999, José Arnaldo da Conceição, 28, morreu no canteiro de obras da ponte do Rio Ivaí durante a noite.
Na Arteleste, o diretor-financeiro, Lauri Alberto Boscatto, informou ontem que o dono da empresa, Túlio Beltrão, viajou para Tapira para apurar as causas do acidente e tomar as providências necessárias. Segundo Boscatto, somente uma perícia poderá apurar se houve falhas ou negligência de alguém. Ele negou as acusações de que a empreiteira não tem equipamentos adequados para garantir a segurança dos operários.

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