Uma explosão ocorrida na noite de anteontem em uma caldeira de um frigorífico em Bela Vista do Paraíso (40 km ao norte de Londrina) matou um operário, destruiu parte do prédio, deixou residências próximas e todo o município de Sertanópolis sem energia elétrica durante 25 minutos. Segundo os moradores, toda a cidade ouviu o ruído da explosão e o efeito teria sido semelhante a um terremoto.
O acidente aconteceu por volta das 22 horas no Frigorífico Rio da Prata, que utiliza em comodato instalações do antigo matadouro municipal. O operário Saulo Cândido, de 32 anos, teve morte instantânea quando jantava sobre uma pilha de lenha a poucos metros da caldeira. Era seu primeiro dia de trabalho. Ele foi sepultado no final da tarde de ontem no cemitério municipal.
O vigia e outro operário do frigorífico que estavam no local no momento da explosão não se feriram. Para escapar dos efeitos do acidente, o operário Adalton Ferreira Aguilar contou com muita sorte. Ele estava acompanhando Cândido na refeição e poucos minutos antes da explosão saiu para apanhar uma ferramenta na portaria.
O impacto da explosão lançou partes da caldeira a até 200 metros de distância. Um dos fragmentos atingiu um transformador distante cerca de 100 metros, provocando a interrupção no fornecimento de energia elétrica no município vizinho. Uma linha reserva foi acionada e possibilitou o rápido reestabelecimento da transmissão.
O perito criminal Luis Noboru Marakawa, engenheiro civil e engenheiro de segurança do trabalho, do Instituto de Criminalística de Londrina disse à Folha que analisará nos próximos 20 dias toda a documentação da caldeira simultaneamente a um estudo sobre as normas técnicas que regem este tipo de equipamento. O laudo deve sair no final do mês.
O delegado Luis Carlos Azevedo, que presidirá o inquérito, trabalha com três hipóteses: negligência, imprudência ou imperícia. Ele afirmou que o proprietário Deoclides Vieira e Silva, 56 anos, pode ser responsabilizado pelo acidente. Além da direção, ele deve ouvir funcionários do frigorífico e familiares da vítima.
O proprietário do frigorífico disse que uma empresa de Curitiba fazia com frequência trabalhos de inspeção e que nada havia sido constatado de irregular na caldeira. Vieira e Silva admitiu que o funcionário ainda não tinha vínculo formal com a empresa, mas que o registro seria providenciado nos próximos dias. Ele disse também que atenderá a solicitação feita por parentes da vítima após o sepultamento. O irmão do operário, o calheiro Roberto Cândido, 40, reivindicava uma ajuda do empresário para a cunhada e para os dois sobrinhos, Carlos Henrique, 9 anos, surdo-mudo, e Vítor, 4 anos. Vieira e Silva disse à Folha que ajudará a família com uma cesta básica por mês.

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