Operário é detido por engano
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Paulo Ubiratan 
A Polícia Civil de Londrina prendeu ontem à tarde por engano o operário M.C.O., 22 anos. O fato, motivado pela pressão de uma vítima de roubo, por pouco não se transforma em mais um caso de injustiça. O mototaxista José Aparecido Martins teve a sua motocicleta Titam roubada há 11 dias e reconheceu o jovem M.C.O., em um álbum de fotografias na 10ª Subdivisão Policial (SDP), como sendo o ladrão. O mototaxista, então, pediu para que o suspeito fosse procurado para ser reconhecido pessoalmente.
M.C.O., no entanto, não foi procurado nem detido pelas autoridades. As providência de buscá-lo somente foi tomada ontem, quando mais uma vez o mototaxista foi até a 10ª SDP. Revoltado, José Aparecido chamou a imprensa para reclamar do comportamento da polícia.
Ele enfatizou que somente rico é ouvido e bem-tratado pelas autoridades. Quase aos gritos, o mototaxista chamou a atenção para sua situação social: era pobre e haviam lhe tirado a motocicleta, o único instrumento para trabalhar e ganhar dinheiro para sustentar a família.
As reclamações do mototaxista parece que tocaram nos brios dos policiais que saíram para as ruas. Em menos de uma hora, acharam e prenderam o jovem que estava trabalhando. Abatido e sem graça, ele foi levado para uma sala especial para reconhecimento. O suspeito ficou por volta de uma hora na sala até que fosse visto por José Aparecido através de um vidro espelhado na porta.
Logo após avistar o suspeito, o mototaxista foi enfático ao dizer que o jovem não era a mesma pessoa que havia lhe roubado a motocicleta. Na foto da polícia ele era igual ao ladrão. Ao vivo, ele não possui nenhuma semelhança com o ladrão, retificou José Aparecido.
A polícia pediu desculpas pelo erro. Ao ser solto, M.C.O não quis falar com a imprensa. Já na rua ele questionou: Fui preso uma vez por suspeita de uso de drogas. Será que devo levar este estigma pelo resto da vida?. Ele disse que não sabia se iriam aceitá-lo de volta no emprego.


